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Estudo identifica novo gene associado ao surgimento de tumor no intestino

Estudo identifica novo gene associado ao surgimento de tumor no intestino

O câncer do intestino delgado é uma doença rara que representa apenas cerca de 3% dos tumores do sistema gastrointestinal. No entanto, pesquisadores da Universidade de Keio, no Japão, identificaram mutações recorrentes no gene COPA como um fator capaz de desencadear a formação de tumores nesse órgão, independentemente das alterações no gene APC.

A descoberta, publicada na revista Nature Genetics, ajuda a esclarecer uma questão que intrigava pesquisadores há anos: por que muitos tumores malignos do intestino delgado surgem sem apresentar mutações no gene APC. Segundo os autores, a identificação de uma nova via biológica associada à formação desses tumores poderá contribuir para aperfeiçoar a classificação, o diagnóstico e, futuramente, o tratamento do câncer intestinal.

Lacuna na compreensão da doença

O desenvolvimento normal das células intestinais depende de um mecanismo de comunicação chamado via Wnt. No entanto, o mesmo padrão não explica completamente os tumores do intestino delgado. Mutations no gene APC são encontradas em aproximadamente 90% dos adenomas do intestino delgado, mas aparecem em menos de 30% dos adenocarcinomas.

Essa discrepância sugeria que outros fatores genéticos ainda desconhecidos poderiam estar envolvidos na progressão da enfermidade. A equipe liderada pelos professores Shigeki Sekine e Toshiro Sato iniciou a investigação analisando adenomas com características incomuns retirados de três pacientes.

Descoberta do papel do gene COPA

Ao sequenciar as regiões do DNA responsáveis pela produção de proteínas, os pesquisadores identificaram deleções recorrentes em uma região específica do gene COPA. Até então, esse gene não possuía associação conhecida com o desenvolvimento de cânceres.

A função do gene COPA está ligada ao transporte de proteínas dentro das células, especialmente entre duas estruturas fundamentais para o processamento e a distribuição dessas moléculas: o aparelho de Golgi e o retículo endoplasmático.

Os resultados deste estudo apontam para mutações no gene COPA como um importante fator de progressão do câncer em adenomas do intestino delgado.

  • As mutações no gene COPA ativaram a via Wnt de maneira independente de duas proteínas normalmente essenciais para esse processo.
  • As células passaram a manter sinais contínuos de crescimento mesmo sem a presença dos estímulos que normalmente seriam necessários.
  • Esse comportamento ajuda a explicar como tumores podem surgir e se desenvolver sem depender das alterações clássicas observadas no gene APC.

Impactos para diagnóstico e classificação

A descoberta pode ter repercussões práticas na medicina diagnóstica. Devido à raridade da doença, a classificação dos diferentes tipos de adenomas do intestino delgado ainda apresenta desafios.

Os pesquisadores acreditam que a identificação de tumores associados às mutações em COPA poderá contribuir para tornar esses sistemas de categorização mais precisos.

A expectativa é que a identificação dessas diferentes vias de desenvolvimento tumoral permita compreender melhor a diversidade biológica do câncer intestinal e contribua para estratégias de tratamento mais personalizadas no futuro.

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