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Estudo descobre projetos de lei sobre racismo na Ditadura “feitos para não funcionar”

Um Estudo Revela a Realidade por trás dos Projetos de Lei sobre Racismo na Ditadura Militar

Uma pesquisa realizada na Universidade da Antuérpia, na Bélgica, trouxe à luz um cenário inesperado sobre a Ditadura Militar no Brasil (1964-1985). Ao analisar 183 projetos de lei apresentados entre 1946 e 2012, os pesquisadores descobriram que, contrariando o senso comum, houve uma quantidade significativa de propostas legislativas relacionadas a direitos específicos para a população negra durante esse período.

De acordo com Ana Júlia França Monteiro, autora do estudo, essas propostas foram classificadas como “acomodacionistas”, pois reconheciam a diferença racial com o objetivo de garantir direitos, como as cotas. No entanto, o regime militar operava sob um paradoxo: permitia a apresentação desses projetos, mas garantia que fossem arquivados, nunca chegando a ser implementados. A única lei aprovada durante esse período foi uma de perfil “integracionista”, que reforçava a ideia de que todos são iguais, alinhada ao discurso oficial da época.

A pesquisa mostra que a virada de chave ocorreu apenas na redemocratização, especialmente a partir dos anos 2000, quando 79% das leis analisadas foram aprovadas. Além disso, destaca uma curiosidade geográfica: o senador Paulo Paim (PT-RS) foi o parlamentar que mais apresentou projetos sobre o tema, superando políticos do Nordeste, região com maior proporção negra na população.

  • A questão demográfica é importante, mas o vínculo com partidos fortes e a trajetória pessoal do político acabam pesando mais para levar esses projetos adiante.
  • O estudo também alerta que o risco de retrocesso mudou de face, com um Congresso de perfil conservador, a ameaça não é mais a ausência de leis, mas a falta de vontade política para aplicá-las.
  • A implementação efetiva das leis é o próximo passo crucial, pois não basta apenas criar a lei, é necessário construir os profissionais e os mecanismos para tirá-la do papel.

Essa pesquisa, que contou com recursos da VLIRUOS, agência de fomento flamenca, oferece uma visão crítica sobre a história da luta contra o racismo no Brasil e destaca a importância da continuidade dos esforços para garantir a igualdade de direitos para todos.

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