Esquizofrenia: Origem na Formação do Cérebro
Um estudo recente conduzido por pesquisadores do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) revela que a esquizofrenia pode ter raízes muito precoces, ainda durante a formação do cérebro. A pesquisa, publicada na revista científica Glial Health Research, sugere que alterações metabólicas no início do desenvolvimento cerebral podem prejudicar a formação das conexões entre as células do cérebro e aumentar a vulnerabilidade a transtornos neuropsiquiátricos.
Para chegar a essas conclusões, os cientistas utilizaram modelos neurais humanos desenvolvidos em laboratório, capazes de reproduzir características do cérebro em seus estágios iniciais. O objetivo foi entender como falhas na comunicação entre diferentes tipos de células cerebrais podem gerar efeitos duradouros ao longo da vida. O cérebro é formado por diferentes tipos de células que precisam trabalhar de forma integrada, incluindo neurônios e astrócitos.
Importância da Comunicação entre Células Cerebrais
Os neurônios são responsáveis por receber e transmitir informações, permitindo pensamentos, emoções e comportamentos. Já os astrócitos são células de apoio que fornecem energia, nutrientes e ajudam a regular a comunicação entre os neurônios, sendo fundamentais para o bom funcionamento do cérebro. Quando esse “diálogo” entre neurônios e astrócitos é interrompido, o desenvolvimento do cérebro pode ser comprometido, com impactos profundos e duradouros.
Os pesquisadores analisaram o papel de uma enzima chamada PHGDH, responsável por transformar a glicose em D-serina, uma substância essencial para o funcionamento dos receptores NMDA, estruturas presentes nos neurônios que permitem a comunicação eficiente entre as células. Esses receptores estão diretamente ligados à plasticidade sináptica, que é a capacidade do cérebro de aprender, formar memórias e se adaptar a novas experiências.
Conclusões e Perspectivas
Os achados ajudam a explicar a relação entre alterações precoces no cérebro e a redução da atividade dos receptores NMDA, um dos mecanismos mais associados à esquizofrenia. O estudo sugere que mudanças sutis no metabolismo cerebral, ainda nas fases iniciais da vida, podem desencadear uma cascata de eventos que afeta a organização das redes neurais. Segundo os autores, a pesquisa abre novas perspectivas para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas que considerem o metabolismo cerebral e o neurodesenvolvimento como alvos centrais no tratamento e, no futuro, na prevenção de transtornos neuropsiquiátricos.
- A esquizofrenia pode ter origem na formação do cérebro.
- Alterações metabólicas no início do desenvolvimento cerebral podem prejudicar a formação das conexões entre as células do cérebro.
- A comunicação entre neurônios e astrócitos é fundamental para o bom funcionamento do cérebro.
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