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Empresa diz poder ressuscitar espécies extintas com “ovo artificial”. Será mesmo?

A Colossal Biosciences e o “Ovo Artificial”: Uma Nova Abordagem para a Desextinção?

A Colossal Biosciences, uma startup dos Estados Unidos, tem ganhado notoriedade por suas alegações de que pode “trazer de volta” animais extintos. Recentemente, a empresa anunciou o nascimento de 26 pintinhos em uma estrutura artificial que imita uma casca de ovo. Essa tecnologia, segundo a Colossal, poderá ajudar na criação de aves geneticamente modificadas para se parecerem com espécies desaparecidas, como os moas gigantes da Nova Zelândia.

No entanto, especialistas ouvidos pela imprensa especializada afirmam que faltam dados fundamentais para avaliar a eficácia da técnica. Além disso, os profissionais alertam que a Colossal tem um histórico de fazer alegações controversas sobre espécies “ressuscitadas” sem respaldo científico consensual. A tecnologia divulgada pela empresa consiste em uma estrutura impressa em 3D em formato de treliça, revestida por uma membrana transparente de silicone, que funciona como uma espécie de incubadora externa.

Críticas e Limitações

Os pesquisadores criticam a falta de dados concretos sobre o funcionamento real da tecnologia. A Colossal não publicou artigo científico revisado por pares, não divulgou pré-publicação técnica nem apresentou números detalhados sobre eficiência, taxa de sobrevivência embrionária ou comparação rigorosa com métodos já existentes. Além disso, a empresa não pretende publicar um estudo formal neste momento porque planeja comercializar a tecnologia futuramente.

Outro ponto levantado pelos especialistas é que a Colossal provavelmente exagera ao descrever a estrutura como um “ovo artificial”. Na prática, os embriões continuam dependendo de elementos biológicos naturais já presentes no ovo original, incluindo gema, clara e membranas embrionárias fundamentais para o desenvolvimento. A tecnologia pode ter melhorado um aspecto importante da técnica: a troca de oxigênio, mas falta dados suficientes para confirmar se a tecnologia funciona melhor que as alternativas existentes.

Desextinção: Um Sonho Distante?

Mesmo que o sistema funcione perfeitamente, especialistas afirmam que isso está muito longe de significar a volta dos moas. O principal problema continua sendo genético. O DNA das espécies extintas se degrada ao longo do tempo, fragmentando-se progressivamente. Isso impede a reconstrução completa de um genoma funcional idêntico ao original. A “desextinção”, no sentido literal, provavelmente é impossível.

No entanto, a tecnologia pode ter aplicações práticas relevantes em conservação animal. O sistema poderia, por exemplo, ajudar programas de reprodução de aves ameaçadas de extinção, especialmente espécies com baixa taxa de eclosão. Tudo isso depende, porém, da real eficácia da tecnologia.

  • A Colossal Biosciences anunciou o nascimento de 26 pintinhos em uma estrutura artificial que imita uma casca de ovo.
  • A tecnologia pode ajudar na criação de aves geneticamente modificadas para se parecerem com espécies desaparecidas.
  • Faltam dados fundamentais para avaliar a eficácia da técnica.
  • A “desextinção” é improvável devido a limitações genéticas.

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