Emergência Radiotiva: O que é real e o que é ficção na série Netflix
A minissérie nacional Emergência Radioativa, lançada recentemente pela Netflix, se baseia em uma história real que aconteceu em setembro de 1987, recontando os eventos do desastre com o césio-137 em Goiânia. O desastre radiológico ocorreu apenas um ano após o acidente de Chernobyl, na antiga União Soviética.
Tudo começou quando dois catadores de materiais recicláveis, Wagner Pereira e Roberto Alves, entraram em uma clínica de radioterapia abandonada e removeram a parte superior de uma máquina de tratamento de câncer. Eles levaram o equipamento para casa e conseguiram abrir uma cápsula de chumbo que guardava 19 gramas de césio-137, um elemento altamente radioativo.
A substância, que brilhava no escuro com uma cor azulada, atraiu a curiosidade de moradores locais. O material passou por várias mãos e foi vendido para o dono de um ferro-velho, espalhando a contaminação por diversos pontos da capital goiana.
Para conter a crise, as autoridades precisaram isolar áreas e realizar exames em mais de 110 mil pessoas em um campo de futebol, sendo que 249 delas tinham níveis significativos de material radioativo em seus corpos. Centenas de pessoas com níveis leves de contaminação tiveram de permanecer em abrigos especiais.
O que é real e o que é ficção em Emergência Radiotiva
Embora seja inspirada em acontecimentos reais, a série Emergência Radioativa utiliza diversos recursos para aumentar o impacto dramático. Um dos pontos de maior divergência entre a obra e a realidade é a representação dos profissionais de saúde e segurança.
Algumas das principais diferenças entre a série e a realidade incluem:
- A representação dos profissionais de saúde e segurança: na vida real, dezenas de especialistas trabalharam na contenção da tragédia, enquanto na série, essas ações são concentradas em um núcleo reduzido de personagens.
- A dramatização dos personagens que representam as vítimas: a série apresenta a figura de Celeste, inspirada em Leide das Neves, a criança que morreu após ingerir partículas do pó radioativo durante uma refeição.
- A locação das filmagens: apesar de a história se passar originalmente em Goiânia, a Netflix gravou as cenas em cidades da Grande São Paulo, como Osasco e Santo André.
Além disso, sobreviventes notaram mudanças visuais em Emergência Radioativa, como o brilho do césio-137, que na tela parece ser mais intenso do que o relatado por quem viu o material original.
Atualmente, cerca de 600 pessoas recebem pensões do governo devido aos danos sofridos. Existe um movimento político recente para aliviar a situação financeira desses sobreviventes: um projeto de lei enviado pelo governo estadual de Goiás à Assembleia Legislativa propõe um reajuste de 70% nos valores dos auxílios vitais.
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