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É possível fazer um “detox” de plástico? Entenda o que diz a ciência

É possível fazer um “detox” de plástico? Entenda o que diz a ciência

O documentário Detox de Plástico, lançado recentemente, populariza a ideia de que seria possível fazer uma “limpeza” de plástico no organismo com benefícios para a saúde. No entanto, a ciência discute se reduzir a exposição cotidiana a esses materiais e aos compostos associados a eles pode trazer algum benefício ao organismo.

Um estudo piloto real, publicado em março de 2026, mostrou que seis casais com dificuldades para engravidar que passaram 90 dias tentando reduzir drasticamente a exposição cotidiana a plásticos apresentaram redução nos níveis urinários de bisfenol A (BPA) e ftalatos, compostos químicos presentes em plásticos e embalagens. No entanto, sem um grupo controle, o estudo não permite conclusões sobre a relação entre a intervenção e os desfechos reprodutivos.

Aditivos químicos

A maioria dos compostos químicos presentes em plásticos não permanece indefinidamente acumulada no corpo. Pelo contrário, costuma ter meia-vida relativamente curta, sendo metabolizada e eliminada. No entanto, aditivos químicos, como plastificantes, retardadores de chama e substâncias antiaderentes, concentram as evidências mais consistentes de impacto sobre a saúde.

  • Disrupção endócrina
  • Redução da qualidade do esperma
  • Doenças cardiovasculares

Alguns dos compostos mais estudados são o BPA e os ftalatos, que estão entre os compostos mais associados a riscos à saúde humana. O BPA tem sido associado a condições como diabetes tipo 2, obesidade, hipertensão, doenças cardiovasculares e problemas reprodutivos, como síndrome dos ovários policísticos.

Microplásticos por todo lado

A ciência também vem se aprofundando nos efeitos da exposição aos microplásticos, definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como partículas sólidas de plástico ou fibras sintéticas com tamanho entre 1 nanômetro e 5 milímetros. Essas partículas estão disseminadas no ambiente e também podem ser ingeridas pela alimentação.

Uma revisão sistemática de 2024 apontou que um ser humano pode consumir até 1,5 milhão de micropartículas de plástico por dia. As principais fontes seriam água engarrafada, frutas, vegetais, bebidas como café em sachê, moluscos e água encanada.

Como reduzir a exposição

Embora ainda faltem conclusões definitivas, o conjunto de evidências aponta para um princípio já conhecido na saúde: reduzir exposições desnecessárias, especialmente quando envolvem atitudes simples, pode ser uma estratégia prudente enquanto ainda não temos todas as respostas.

Algumas dicas para reduzir a exposição a plásticos e microplásticos incluem:

  • Evitar o uso de recipientes plásticos para armazenar ou consumir alimentos
  • Escolher alimentos frescos e não processados
  • Evitar o uso de água engarrafada e optar por água encanada ou filtrada

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