Dia Mundial sem Tabaco: Novas Tecnologias Camuflam Vapes e São Desafio
O Dia Mundial sem Tabaco, lembrado anualmente, busca chamar a atenção para os riscos do tabagismo e, mais recentemente, para o uso de cigarros eletrônicos, conhecidos como vapes. Esses dispositivos, que inicialmente pareciam ser uma alternativa menos prejudicial ao tabaco tradicional, têm se mostrado uma ameaça significativa à saúde pública, especialmente entre os jovens.
De acordo com o diretor executivo da Fundação do Câncer, Luiz Augusto Maltoni, os vapes representam um risco real de retrocesso nas políticas de controle do tabaco no Brasil, que haviam reduzido significativamente a prevalência de fumantes. A preocupação é que esses dispositivos, com suas novas tecnologias e disfarces, estejam tornando o vício mais acessível e aceitável, especialmente entre os jovens.
Disfarces Tecnológicos
Os vapes vêm sendo projetados com disfarces tecnológicos que os tornam quase imperceptíveis. Eles podem ser encontrados em formatos como vaporizer hoodies, moletons com vaporizadores integrados ao tecido, permitindo que o usuário inale nicotina de forma discreta. Além disso, muitos desses dispositivos não têm cheiro ou são aromatizados, o que dificulta a detecção.
Esses disfarces permitem que os jovens usem vapes em locais públicos, como escolas e metrôs, sem serem detectados. Isso é particularmente preocupante, pois a exposição à nicotina na adolescência pode afetar o desenvolvimento do cérebro e aumentar a vulnerabilidade à dependência de nicotina ao longo da vida.
Consequências
A experimentação de cigarros eletrônicos entre estudantes de 13 a 17 anos mais que dobrou entre 2019 e 2024, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE). Isso é alarmante, pois a exposição à nicotina na adolescência pode ter consequências graves, incluindo:
- Afetação do desenvolvimento do cérebro, especialmente áreas relacionadas à atenção, aprendizagem, humor e controle de impulsos.
- Aumento da vulnerabilidade à dependência de nicotina ao longo da vida.
- Exposição a substâncias tóxicas, incluindo partículas ultrafinas, compostos orgânicos voláteis e metais pesados.
- Riscos respiratórios e cardiovasculares.
Medidas
Para combater o uso de vapes, é necessário adotar medidas eficazes. A Inglaterra, por exemplo, proibiu a venda de qualquer produto de tabaco para quem nasceu depois de 1º de janeiro de 2009. Além disso, o país ampliou medidas para restringir a publicidade, promoção, apresentação e o apelo dos vapes entre crianças e adolescentes.
É fundamental que sejam adotadas medidas semelhantes no Brasil para coibir a produção e venda de vapes, protegendo a saúde dos jovens e prevenindo o retrocesso nas políticas de controle do tabaco.
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