Desigualdade Social e Envelhecimento Biológico
A desigualdade social não afeta apenas a renda, escolaridade ou acesso a oportunidades, mas também pode deixar marcas profundas no organismo. Uma ampla meta-análise conduzida por pesquisadores do Instituto Max Planck para o Desenvolvimento Humano e da Universidade de Columbia revelou que fatores como pobreza, baixa escolaridade e condições precárias de vida estão associados a alterações biológicas que aceleram o envelhecimento.
O estudo analisou 140 estudos realizados em 23 países, envolvendo 65.919 participantes de diferentes faixas etárias. Os resultados mostraram que os relógios epigenéticos, ferramentas que analisam alterações químicas no DNA, são especialmente sensíveis às desigualdades sociais. Essas ferramentas podem estimar a idade biológica de uma pessoa ou a velocidade com que seu corpo está envelhecendo.
Resultados
- Os relógios epigenéticos mais modernos mostraram relações fortes com as condições de vida das pessoas, enquanto os modelos mais antigos apresentaram associações fracas com fatores socioeconômicos.
- As evidências indicam que crianças que crescem em ambientes socialmente desfavorecidos já apresentam sinais de envelhecimento biológico acelerado.
- Adultos que passaram a infância em famílias com menos recursos continuam apresentando sinais de envelhecimento biológico mais rápido décadas depois.
- Participantes negros e latinos apresentaram envelhecimento biológico mais acelerado do que participantes brancos quando avaliados pelos relógios epigenéticos mais modernos.
Os resultados reforçam a importância dos determinantes sociais da saúde, como renda, educação, moradia e acesso a serviços públicos, na construção das trajetórias de saúde ao longo da vida. Além disso, os relógios epigenéticos podem se tornar instrumentos importantes para avaliar o impacto de políticas públicas e programas sociais.
Embora os mecanismos exatos ainda estejam sendo investigados, já existe um volume crescente de evidências ligando condições sociais desfavoráveis a fatores como estresse persistente, maior exposição a riscos ambientais, alimentação inadequada e acesso limitado a cuidados médicos. Juntos, esses elementos podem contribuir para acelerar processos biológicos associados ao envelhecimento.
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