Daraxonrasib no câncer de pâncreas: avanço real, acesso ainda distante no Brasil
O daraxonrasib, um inibidor oral da proteína RAS, foi o grande destaque do congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) 2026, ao quase dobrar a sobrevida no câncer de pâncreas metastático. De acordo com o oncologista Rui Weschenfelder, o resultado é um avanço sólido, mas que ainda esbarra em prazos regulatórios e em um gargalo de diagnóstico molecular no Brasil.
Um ganho proporcional inédito numa doença de avanços lentos, o estudo de fase 3 RASolute 302 elevou a sobrevida global de 6,7 para 13,2 meses e reduziu em 60% o risco de morte frente à quimioterapia padrão. A apresentação dos resultados foi recebida com aplausos de pé por oncologistas do mundo todo reunidos no congresso, em Chicago (EUA).
O mecanismo do daraxonrasib atua sobre o estado ativo da proteína RAS, alcançando um espectro mais amplo de variantes, incluindo G12, G13 e Q61. Além disso, o medicamento apresentou uma toxicidade menor e mais qualidade de vida para os pacientes, com efeitos colaterais mais leves e controláveis, como rash e estomatite.
No entanto, o acesso ao daraxonrasib no Brasil ainda é distante, devido a prazos regulatórios e ao gargalo de diagnóstico molecular. A incorporação do medicamento ao Sistema Único de Saúde (SUS) pode levar mais de um ano, após as etapas de aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e inclusão no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Para o oncologista Rui Weschenfelder, é importante lembrar que o daraxonrasib é mais uma ferramenta na luta contra a doença e os ganhos obtidos não significam cura. Ele defende manter a esperança sem transformar o avanço científico em uma promessa de cura que o estudo não sustenta, alinhando expectativas com os pacientes.
- O daraxonrasib é um inibidor oral da proteína RAS que atua sobre o estado ativo da proteína.
- O estudo de fase 3 RASolute 302 elevou a sobrevida global de 6,7 para 13,2 meses e reduziu em 60% o risco de morte frente à quimioterapia padrão.
- O medicamento apresentou uma toxicidade menor e mais qualidade de vida para os pacientes.
- O acesso ao daraxonrasib no Brasil ainda é distante, devido a prazos regulatórios e ao gargalo de diagnóstico molecular.
Este conteúdo pode conter links de compra.
Fonte: link