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Como óvulos e espermatozoides congelados podem garantir o futuro dos coalas

Proteção Genética para Coalas

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Queensland, na Austrália, está trabalhando em um projeto inovador para proteger a diversidade genética dos coalas. A iniciativa envolve o congelamento de óvulos e espermatozoides dos animais em nitrogênio líquido, permitindo que esses materiais sejam preservados por décadas e utilizados futuramente em técnicas de reprodução assistida.

O objetivo é garantir a sobrevivência da espécie diante do rápido declínio de algumas populações selvagens. A perda de diversidade genética pode enfraquecer as gerações futuras e diminuir a capacidade da espécie de se adaptar a mudanças climáticas e doenças. O biólogo reprodutivo Andres Gambini destacou a importância do projeto, afirmando que “a perda de diversidade genética pode enfraquecer as gerações futuras e diminuir a capacidade da espécie de se adaptar aos desafios”.

Paradoxo Australiano

A situação dos coalas varia conforme a região da Austrália. Em partes de Queensland e Nova Gales do Sul, as populações caíram até 80% desde o fim da década de 1990 devido ao desmatamento, incêndios florestais, secas e doenças. Já em áreas do sul do país, algumas populações cresceram tanto que passaram a consumir excessivamente as florestas de eucalipto das quais dependem, comprometendo o próprio habitat.

Os pesquisadores utilizarão criopreservação em nitrogênio líquido para preservar o material genético. A criopreservação oferece uma reserva genética valiosa para populações ameaçadas, desde que seja acompanhada por esforços contínuos de coleta para manter a diversidade genética ao longo do tempo.

Coleta e Armazenamento

As amostras serão obtidas principalmente em hospitais de fauna silvestre da Austrália, que recebem milhares de coalas feridos ou doentes todos os anos. Os pesquisadores coletarão células reprodutivas de animais que morreram ou que perderam a capacidade de se reproduzir devido a traumas ou enfermidades.

  • As amostras passarão por testes para detectar a presença da bactéria Chlamydia pecorum, uma das maiores ameaças à espécie.
  • Caso a bactéria seja identificada nas amostras, os pesquisadores afirmam que isso não impedirá sua utilização, pois agora têm a tecnologia para remover a infecção das amostras.
  • A iniciativa é resultado de décadas de pesquisa em reprodução de marsupiais, e os cientistas esperam aplicar esse conhecimento para formar um banco genético capaz de fornecer material para futuros programas de reprodução.

Os pesquisadores ressaltam que a criopreservação não substitui as estratégias tradicionais de conservação, como a proteção das florestas, o combate às doenças e o monitoramento das populações selvagens. Agir agora é essencial, pois quanto mais as populações diminuem, maior é a perda de variantes genéticas que poderão ser decisivas para a sobrevivência dos coalas diante das mudanças climáticas, novas doenças e transformações no ambiente nas próximas décadas.

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