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Como o fator humano ganha espaço em pesquisas biológicas da Amazônia

Introdução

A Amazônia é conhecida por sua biodiversidade e capacidade de retenção de carbono. Nos últimos anos, a região tem se destacado por abrigar projetos de pesquisa inovadores que transpõem as fronteiras entre as disciplinas científicas, promovendo a convergência entre a biologia e as humanidades.

Projetos de Pesquisa

Dois dos mais ambiciosos experimentos científicos da Amazônia, o AmazonFACE e o ADAPTA III, demonstram como a presença de profissionais das ciências humanas pode trabalhar lado a lado com biólogos, ecólogos, climatologistas e outros especialistas das ciências naturais para reformular o próprio fazer científico.

  • O projeto ADAPTA III busca compreender como as espécies aquáticas da Amazônia se adaptam a condições ambientais extremas.
  • O projeto AmazonFACE utiliza a tecnologia Free-Air CO₂ Enrichment (FACE) para entender como a Floresta Amazônica reagirá ao aumento de dióxido de carbono (CO₂) previsto para as próximas décadas.

Integração das Ciências Humanas

Nos dois projetos, a interdisciplinaridade surgiu como uma necessidade posterior ao início dos projetos. No AmazonFACE, o antropólogo Marko Synésio Alves Monteiro integra o comitê científico do projeto e lidera a sua área socioambiental. No ADAPTA III, a integração se dá por meio da comunicação científica e na articulação com territórios amazônicos.

Resultados e Impacto

Nos dois projetos, as ciências humanas já provocaram efeitos mensuráveis. No AmazonFACE, entrevistas com ribeirinhos sobre o comportamento das árvores de andiroba durante as cheias extremas levaram os cientistas a incluir uma nova variável hidrológica nos modelos climáticos do experimento. No ADAPTA III, o formato de publicação de short notes democratizou o acesso aos resultados e se tornou uma estratégia pedagógica e política.

Conclusão

Os projetos ADAPTA III e AmazonFACE mostram que as ciências humanas não estão na periferia da biologia amazônica, mas no seu centro epistemológico e moral. Elas não apenas ajudam a comunicar resultados, também reformulam as perguntas fundamentais sobre o que é conhecer, conservar e viver na Amazônia.

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