Descoberta de um Novo Tipo Sanguíneo Ultra-Raro na Tailândia
Uma equipe de pesquisadores da Universidade Mahidol, na Tailândia, identificou um novo tipo sanguíneo extremamente raro, conhecido como fenótipo B(A), em apenas três pessoas entre 544 mil amostras de sangue analisadas ao longo de oito anos. Essa descoberta foi publicada em um estudo da revista Transfusion and Apheresis Science.
A equipe, liderada pela hematologista Janejira Kittivorapart, examinou mais de meio milhão de amostras de sangue para entender como e por que ocorrem incompatibilidades entre os testes diretos e reversos do sistema ABO. Essas incompatibilidades podem colocar pacientes em risco durante uma transfusão de sangue.
O que é o Tipo B(A)?
O fenótipo B(A) é uma variação do sistema ABO, onde o sangue é classificado como do tipo B, mas mutações específicas fazem com que a enzima responsável por adicionar antígenos às hemácias apresente uma atividade semelhante à do tipo A, embora em níveis bem baixos. Nos três casos identificados, os pesquisadores encontraram quatro mutações inéditas no gene ABO.
Essa descoberta é importante porque mostra que o sistema sanguíneo humano é mais complexo do que as oito categorias mais conhecidas (A, B, AB e O, todas positivas ou negativas). Entender essas sutilezas pode evitar incompatibilidades em transfusões e ajudar em casos clínicos desafiadores.
Implicações da Descoberta
A raridade desse fenótipo não reduz sua importância. Pelo contrário, mostra que ainda há muito a ser explorado no campo da hematologia. Além disso, a descoberta contribui para um cenário mais amplo, onde outras variações sanguíneas inéditas foram identificadas nos últimos anos.
- Em 2024, cientistas resolveram um mistério de 50 anos ao descobrir que uma amostra coletada em 1972 continha um novo sistema de grupos sanguíneos.
- Já em 2025, pesquisadores franceses identificaram o “Gwada-negativo”, considerado o grupo sanguíneo mais raro já registrado, encontrado em apenas uma mulher, da ilha de Guadalupe.
Esses novos achados reforçam a ideia de que ainda há muito a ser explorado no campo da hematologia. Estudos futuros serão necessários para entender como as mutações recém-identificadas afetam a estrutura e a função da enzima envolvida no sistema ABO.
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