Comer carne vermelha aumenta o risco de diabetes tipo 2? O que diz a ciência
Na contramão de modismos como a “dieta carnívora”, que incentiva o consumo elevado de proteína animal, diversas pesquisas reforçam os impactos negativos do excesso de carne vermelha na saúde. Já há evidências consistentes de associação do alimento com doenças cardiovasculares e, mais recentemente, a ciência tem apontado um elo com o aumento do risco de diabetes tipo 2.
Uma pesquisa da Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, analisou dados sobre o consumo alimentar de 34.737 adultos e revelou que entre os que extrapolavam nas porções de carne vermelha e carne processada havia maior probabilidade de diabetes. Por outro lado, a inclusão de fontes de proteína vegetal, caso dos feijões, esteve associada à redução do risco dessa doença metabólica.
Possíveis mecanismos
Os pesquisadores mencionam que cerca de 50% da associação entre a carne e o diabetes é mediada pelo excesso de peso. O alto teor de gordura saturada encontrado na carne vermelha também é um fator importante, pois interfere com a ação da insulina, dificultando a entrada de glicose nas células.
Além disso, as carnes processadas contêm substâncias como os nitritos e demais aditivos, que têm impactos negativos na microbiota intestinal. A disbiose, ou desequilíbrio entre as bactérias que habitam o cólon, propicia a permeabilidade do intestino, desencadeando inflamações que contribuem para a resistência à insulina.
Os protetores
Se extrapolar no consumo de carnes pode aumentar o risco de diabetes, os estudos revelam que determinados alimentos têm efeito protetor. Um dos grupos mais aclamados é o das leguminosas, que inclui feijões, grão-de-bico, lentilha, ervilha, favas, entre outros.
- Leguminosas: oferecem proteína de qualidade e são ricos em fibras, promovendo a harmonia da microbiota intestinal e favorecendo o metabolismo da glicose.
- Frutas, hortaliças, sementes, pescados e cereais integrais: trazem impactos positivos ao equilíbrio glicêmico.
- Atividade física regular: é uma das principais estratégias para afastar o diabetes, incluindo exercícios aeróbicos e treino de força.
Além da alimentação, outras estratégias também exercem efeito protetor, como cuidar do sono e manter o peso corporal adequado. É importante lembrar que a prática regular de atividade física e a manutenção de um estilo de vida saudável são fundamentais para prevenir o diabetes tipo 2.
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