Cientistas lançam maior acervo de dados sobre saúde de animais silvestres do Brasil
Um grupo de pesquisadores brasileiros realizou um levantamento inédito sobre a saúde de animais silvestres no Brasil, mapeando 1.025 microrganismos detectados em 343 espécies de mamíferos. Desses, 162 patógenos têm potencial de transmissão para seres humanos, incluindo vírus, bactérias, protozoários, vermes e fungos.
O projeto de pesquisa Redes Socioecológicas, coordenado pela Fiocruz e financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), contou com a participação de 24 autores de 13 instituições. O levantamento é considerado o maior sobre saúde de animais silvestres do Brasil e fornece dados importantes para compreender a disseminação de doenças zoonóticas, como febre amarela, malária e raiva.
Importância do levantamento
A pesquisa ressalta a importância de conhecer os parasitos que circulam em animais silvestres, especialmente no Brasil, onde existe a maior diversidade de mamíferos do mundo e muitas transformações ambientais. De acordo com Paulo D’Andréa, um dos coordenadores do projeto, “é fundamental conhecer os parasitos que circulam em animais silvestres, especialmente no Brasil, onde temos a maior diversidade de mamíferos do mundo e muitas transformações ambientais”.
Além disso, o levantamento também se debruça sobre políticas públicas relacionadas ao tema e aponta caminhos para melhorá-las. O projeto promoveu oficinas com dezenas de pesquisadores, profissionais e gestores de órgãos públicos de meio ambiente, agropecuária e saúde e de organizações não governamentais.
Desafios e soluções
Os cientistas responsáveis pelo levantamento destacam a necessidade de mudanças nas políticas públicas atuais, que ignoram o componente silvestre da saúde animal. De acordo com a pesquisadora Gisele Winck, “a saúde dos animais silvestres tem sido o pilar negligenciado da saúde única. Precisamos implementar um sistema de vigilância, com compartilhamento de dados entre os ministérios da Saúde, Meio Ambiente e Agropecuária, e um mecanismo formalizado de governança das ações nesta área”.
- A implementação de um sistema de vigilância para monitorar a saúde dos animais silvestres;
- O compartilhamento de dados entre os ministérios da Saúde, Meio Ambiente e Agropecuária;
- A criação de um mecanismo formalizado de governança das ações na área de saúde animal silvestre.
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