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Cientistas criam ferramenta capaz de prever risco de Alzheimer anos antes do início dos sintomas

Cientistas Desenvolvem Ferramenta para Prever Risco de Alzheimer

Um grupo de pesquisadores da Mayo Clinic criou uma ferramenta inovadora capaz de estimar o risco de uma pessoa desenvolver problemas de memória e pensamento associados à doença de Alzheimer anos antes do início dos sintomas. Essa ferramenta se baseia em décadas de dados do Estudo sobre o Envelhecimento da Mayo Clinic, um dos estudos populacionais mais abrangentes do mundo sobre a saúde do cérebro.

A pesquisa, publicada na The Lancet Neurology, revelou que as mulheres têm um risco vitalício maior do que os homens de desenvolver demência e comprometimento cognitivo leve (CCL), um estágio de transição entre o envelhecimento saudável e a demência. Além disso, homens e mulheres com a variante genética comum APOE ε4 também apresentam um risco vitalício mais elevado.

Prevendo a Doença de Alzheimer

A doença de Alzheimer é caracterizada por duas proteínas-chave no cérebro: a amiloide, que forma placas, e a tau, que forma emaranhados. Medicamentos recentemente aprovados pela Food and Drug Administration (FDA) removem a amiloide do cérebro e podem desacelerar a taxa de progressão da doença em pessoas com CCL ou demência leve.

O novo modelo de previsão combinou vários fatores, incluindo idade, sexo, risco genético associado ao genótipo APOE e níveis de amiloide cerebral detectados em exames de tomografia por emissão de pósitrons (PET). Utilizando esses dados, os pesquisadores podem calcular a probabilidade de um indivíduo desenvolver CCL ou demência dentro de 10 anos ou ao longo da vida prevista.

Impacto e Perspectivas

Entre todos os preditores avaliados, os níveis de amiloide cerebral detectados nos exames de PET foram o preditor com maior impacto sobre o risco vitalício de desenvolver tanto CCL quanto demência. Essa ferramenta pode, eventualmente, ajudar as pessoas e seus médicos a decidirem quando iniciar um tratamento ou fazer mudanças no estilo de vida que possam retardar o aparecimento dos sintomas.

A pesquisa se destaca por se basear no Estudo sobre o Envelhecimento da Mayo Clinic, que acompanha milhares de residentes ao longo do tempo. A análise incluiu dados de 5.858 participantes, oferecendo uma visão precisa de como o Alzheimer se desdobra na comunidade.

Embora a nova ferramenta seja atualmente um instrumento de pesquisa, ela representa um grande avanço em direção a um cuidado mais personalizado. Versões futuras poderão incorporar biomarcadores sanguíneos, tornando os testes mais acessíveis.

O trabalho contou com o apoio do Instituto Nacional do Envelhecimento (NIA), da GHR Foundation, da Gates Ventures e da Alexander Family Foundation, e faz parte de um esforço mais amplo da Mayo Clinic, chamado iniciativa Precure, que tem como foco o desenvolvimento de ferramentas que capacitem os médicos a prever e interceptar processos biológicos antes que eles evoluam para doenças ou progridam para condições complexas e de difícil tratamento.

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