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Caverna no Paraná revela influência da Antártida e do El Niño em chuvas extremas no Sul do Brasil

Descoberta em Caverna no Paraná Revela Influência da Antártida e do El Niño em Chuvas Extremas no Sul do Brasil

Uma equipe de pesquisadores brasileiros fez uma descoberta significativa em uma caverna no interior do Paraná, que guarda um “arquivo climático” que permite reconstruir a história das chuvas extremas na região Sul do Brasil nos últimos 7,5 mil anos.

Os cientistas analisaram espeleotemas (estalagmites) da Caverna do Malfazido, localizada no município de Doutor Ulysses, e descobriram que a frequência desses eventos no século 20 figura entre as mais elevadas de toda a série histórica. Além disso, identificaram dois fatores que influenciam esse processo: a variabilidade climática no continente antártico e a ocorrência de El Niño.

  • Períodos de verão com temperaturas mais baixas na Antártida Ocidental tendem a coincidir com mais eventos extremos no Sul do Brasil.
  • A hipótese é que mudanças no gradiente térmico entre altas e médias latitudes alterem a circulação atmosférica, favorecendo a formação de frentes frias e o transporte de umidade da Amazônia para a região.
  • Nos últimos mil anos, também se nota uma relação significativa entre a frequência de chuvas extremas e episódios moderados ou fortes de El Niño.

Os achados ganham ainda mais relevância neste ano em função da alta probabilidade de ocorrência de um El Niño de intensidade moderada a forte nos próximos meses, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM). Os impactos serão sentidos no Brasil, com alertas para a possível ocorrência de chuvas intensas e desastres hidrogeológicos na região centro-sul do Brasil.

A pesquisa foi possível porque a caverna apresenta condições particulares, com um conduto principal alimentado por um rio subterrâneo que forma um cânion, e uma sequência de barragens de calcário que interrompem o fluxo e criam um sistema de “sifões”, aprisionando água e sedimentos durante inundações.

Os espeleotemas foram datados por meio de métodos isotópicos, resultando na identificação de 921 camadas de inundação. O método foi validado ao comparar parte delas ao que foi registrado em 2023, quando enchentes atingiram o rio Turvo, mostrando correspondência entre os resultados geológicos e os atuais.

Os achados foram publicados em abril na revista Communications Earth & Environment, e sugerem que o aquecimento global provocado pelas atividades humanas pode estar contribuindo para a intensificação recente desses eventos. Por isso, enfatiza a necessidade de estratégias de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, especialmente para comunidades e regiões mais expostas e vulneráveis.

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