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Cânceres urológicos: medicina de precisão desloca o eixo do tratamento para a qualidade de vida

Cânceres urológicos: medicina de precisão desloca o eixo do tratamento para a qualidade de vida

Os avanços da medicina de precisão estão mudando o tratamento dos cânceres urológicos, que atingem próstata, bexiga, rins, testículos e pênis. Se o objetivo central era controlar a doença e ampliar a sobrevida, hoje ele passa também pela preservação da qualidade de vida durante e após o tratamento, com redução de efeitos colaterais e retomada mais rápida da autonomia do paciente.

A mudança ocorre sobre uma base epidemiológica expressiva. A publicação Estimativa 2026-2028, do Instituto Nacional de Câncer (INCA), projeta 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil em cada ano do triênio. Só a próstata responde por cerca de 78 mil diagnósticos anuais — 30,5% de todos os casos entre homens, a maior fatia isolada.

Da cura ao que se preserva

Cirurgia robótica, radioterapia de alta precisão, terapias-alvo, imunoterapia e métodos diagnósticos mais sofisticados vêm permitindo um cuidado personalizado e menos invasivo. Para o radio-oncologista Allisson Borges, diretor executivo de Radioterapia da Oncologia D’Or e diretor-geral do Hospital DF Star, o objetivo do tratamento mudou.

“Hoje, celebramos a cura com preservação da qualidade de vida. Esse passou a ser um dos objetivos da uro-oncologia moderna”, afirma. Segundo o especialista, o resultado vem da combinação entre novas tecnologias, tratamentos mais precisos e abordagem multidisciplinar.

  • Cirurgia robótica: permite realizar procedimentos menos invasivos, com menores taxas de complicações, como sangramentos, impotência sexual e incontinência urinária, além de excelentes resultados oncológicos.
  • Imunoterapias e terapias-alvo: ampliam a eficácia do tratamento e reduzem efeitos adversos, poupando tecidos saudáveis.
  • Radioterapia guiada por imagem: amplia a precisão do tratamento, com menor irradiação dos tecidos sadios.

A distribuição mais segura da dose, com menor irradiação dos tecidos sadios, viabiliza tratamentos de radiocirurgia. O tratamento certo, para o paciente certo, começa antes da definição da terapia, com exames de imagem mais sofisticados, biópsias guiadas, análise de marcadores moleculares, testes genéticos e o uso crescente do PET-CT.

Para Allisson Borges, o movimento representa uma das maiores transformações da uro-oncologia nas últimas décadas: o cuidado deixa de ser centrado apenas no controle da doença e passa a considerar os impactos do tratamento na vida do paciente, com preservação de funções, redução de complicações e decisões terapêuticas cada vez mais individualizadas.

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