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Câncer de pulmão ALK+: estudos do GBOT revelam desigualdade de acesso entre SUS e saúde suplementar

Câncer de Pulmão ALK+: Desigualdade de Acesso entre SUS e Saúde Suplementar

Dois estudos realizados pelo Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica (GBOT) revelam uma desigualdade significativa no acesso a tratamentos para pacientes com câncer de pulmão ALK+, um subtipo específico de câncer de pulmão. Esses estudos mostram que pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) recebem menos da metade da terapia-alvo disponível na saúde suplementar e apresentam sobrevida menor.

O câncer de pulmão ALK+ é caracterizado por uma alteração no gene ALK, que acelera o crescimento do câncer, mas também o torna tratável por medicamentos específicos, conhecidos como terapias-alvo. Essas terapias agem diretamente sobre a alteração molecular responsável pela doença, em vez de atingir células de multiplicação rápida como faz a quimioterapia.

  • Os estudos realizados pelo GBOT acompanharam 101 pacientes diagnosticados entre 2015 e 2020 em 12 centros oncológicos brasileiros.
  • Apenas 22,2% dos pacientes atendidos pelo SUS receberam terapia-alvo como primeiro tratamento, contra 53,9% na saúde suplementar.
  • Na rede pública, 77,8% dos pacientes começaram por quimioterapia, mesmo diante de uma opção mais eficaz para o perfil ALK.

A desigualdade começa antes do tratamento, com pacientes do SUS esperando 3,6 meses para obter o diagnóstico, mais que o dobro do tempo registrado na saúde suplementar. Além disso, os exames moleculares e medicamentos estão concentrados no setor privado, com menos da metade dos oncologistas do SUS relatando acesso regular ao teste que identifica a alteração em ALK.

Os autores dos estudos concluem que a medicina de precisão ainda não chegou de forma igual para todos os pacientes com câncer de pulmão ALK+ no Brasil. Eles destacam a necessidade de estratégias nacionais para ampliar o acesso aos testes moleculares e garantir a disponibilidade das terapias recomendadas pelas diretrizes.

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