Estudo Revela que Cabecear uma Única Vez Pode Alterar Marcadores Biológicos Ligados a Danos Cerebrais
Um novo estudo publicado na revista JAMA Neurology sugere que um único cabeceio em uma bola de futebol pode ser suficiente para provocar alterações temporárias em proteínas associadas a lesões cerebrais. A pesquisa, conduzida por cientistas do Centro Médico da Universidade de Amsterdã, na Holanda, acompanhcou 302 jogadores amadores de futebol ao longo de 11 partidas e coletou amostras de sangue antes, durante e após os jogos.
Os resultados mostraram que jogadores que cabecearam a bola apresentaram níveis mais elevados da proteína S100B imediatamente após as partidas, o que é um marcador de traumatismo craniano. Além disso, atletas que realizaram mais de dois cabeceios ou sofreram impactos mais intensos também apresentaram aumento nos níveis de p-tau217, uma proteína considerada um dos biomarcadores sanguíneos mais promissores para a doença de Alzheimer.
Preocupações sobre os Efeitos Neurológicos do Futebol
As preocupações sobre os efeitos neurológicos do futebol não são novidade. Diversas pesquisas associaram a prática frequente de cabecear bolas a declínios cognitivos, alterações estruturais no cérebro e aumento do risco de doenças neurodegenerativas. Um estudo publicado em 2023 encontrou uma associação entre a frequência de cabeceios durante a carreira e pior desempenho em testes cognitivos.
- Os aumentos observados nos biomarcadores permaneceram abaixo do que se costuma utilizar para diagnóstico de lesões cerebrais traumáticas ou doenças neurodegenerativas.
- A principal novidade do estudo holandês está na sensibilidade dos marcadores analisados, que podem detectar alterações biológicas imediatamente após impactos relativamente leves.
- Os efeitos de longo prazo são particularmente difíceis de investigar, pois podem levar décadas para se manifestar.
Os próprios autores fazem questão de destacar que os aumentos observados nos biomarcadores não são motivo para pânico, pois permaneceram abaixo dos níveis normalmente utilizados em hospitais para diagnosticar lesões cerebrais traumáticas ou doenças neurodegenerativas. No entanto, a repetição de pequenas alterações pode se acumular de maneiras que a ciência ainda está tentando compreender.
As descobertas chegam em um momento em que federações de futebol em diversos países vêm adotando restrições ao treinamento de cabeceios, especialmente entre crianças e adolescentes. Ainda não existe consenso sobre qual seria um limite seguro para a prática, mas a pressão para que o esporte reavalie uma de suas jogadas mais tradicionais está crescendo.
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