A Estética Periférica e Tropical do “Brazil Core”
O “Brazil Core” é uma estética supostamente brasileira que tem ganhado sucesso entre estrangeiros, especialmente nas redes sociais. Essa tendência é caracterizada por elementos como cores vibrantes, vídeos de moda, fotos de paisagens e símbolos que transitam entre o popular e o estereotípico.
De acordo com especialistas em moda, a tendência do “Brazil Core” tem duas faces: por um lado, valoriza elementos culturais e pode servir de convite para um olhar mais atento e curioso ao Brasil, reforçando seu soft power; por outro, corre o risco de se tornar uma exportação vazia, sustentada em estereótipos e com traços de apropriação cultural.
Uma das principais características do “Brazil Core” é a valorização de elementos periféricos, como a moda de favela, que inclui chinelos Havaianas, estampas tropicais e o uso de acessórios coloridos e vistosos. No entanto, essa estética muitas vezes é vista como “cafona” ou “coisa de pobre” no Brasil, e só é valorizada quando é apropriada pela moda global.
O Papel das Redes Sociais
As redes sociais desempenham um papel importante na disseminação do “Brazil Core”, permitindo que a estética brasileira seja compartilhada e consumida globalmente. No entanto, isso também pode levar a uma exportação de uma estética, e não de uma cultura, como afirma a consultora Thais Farage.
Além disso, as redes sociais podem criar uma disputa de narrativas, onde o “Brasil com Z” (o Brasil estilizado e distante) é oposto ao “Brasil com S” (o Brasil real, diverso e popular). Isso pode levar a uma apropriação cultural inadequada, onde elementos brasileiros são transformados em produtos de moda sem necessariamente engajar com o público brasileiro.
O Desafio do Consumidor e das Marcas Brasileiras
O desafio para os consumidores e marcas brasileiras é valorizar símbolos e estéticas próprias sem depender exclusivamente da chancela estrangeira. Isso pode ser feito olhando para as periferias, comunidades indígenas e quilombolas, que são fontes de inovação e símbolos genuinamente brasileiros.
Exemplos de marcas que conseguem se apropriar das cores e da diversidade do país de forma consciente incluem a Missy, que produz um luxo de fato brasileiro, e a Farm, que cria estampas únicas e autorais que despertam identificação tanto dentro quanto fora do país.
- Valorizar a cultura brasileira sem depender da chancela estrangeira
- Olhar para as periferias, comunidades indígenas e quilombolas como fontes de inovação e símbolos genuinamente brasileiros
- Desenvolver marcas e produtos que sejam autênticos e representativos da cultura brasileira
Este conteúdo pode conter links de compra.
Fonte: link