Brasileiro premiado pela Sony avalia o futuro da fotografia com IA
O fotógrafo brasileiro Gui Christ, eleito o melhor na categoria de retratos do Sony World Photography Awards, discutiu as transformações na dinâmica de produção e consumo de imagens devido à inteligência artificial e aos avanços em equipamentos digitais.
Christ utiliza ferramentas digitais em diversas etapas do seu trabalho, incluindo a pré-produção para a criação de storyboards, permitindo antecipar problemas de iluminação e enquadramento de projetos documentais. Além disso, algoritmos de IA integrados aos sistemas de autofoco das câmeras minimizam as chances de erro em situações de movimento rápido.
Ele destaca que o equipamento profissional continua sendo fundamental, mesmo com o avanço tecnológico das câmeras de smartphone modernos. Christ compara o uso de um celular na fotografia profissional a colocar um piloto para correr com um Fusca em vez de um carro de Fórmula 1, destacando a diferença na qualidade óptica das lentes intercambiáveis, o tamanho e a resolução do sensor de imagem, e a capacidade bruta de processamento da máquina.
A geração de imagens hiper-realistas por algoritmos reacendeu o debate sobre o que constitui uma fotografia contemporânea. Para o fotógrafo, a situação atual assemelha-se ao desafio enfrentado pelos pintores há cerca de 200 anos, quando a câmera fotográfica foi inventada e automatizou a reprodução visual.
- Segmentos onde a imagem não tem necessidade de ser real, como um encarte de supermercado, podem ser feitos com inteligência artificial.
- Áreas que dependem da validação factual, como o fotojornalismo e a fotografia científica, permanecem protegidas por trabalharem diretamente com a materialidade e possuírem a chancela da sociedade.
A superexposição a imagens em redes sociais reduz o tempo de contemplação do usuário a poucos segundos, limitando a retenção das informações visuais apresentadas nas telas. Christ aconselha estudantes e novos profissionais a buscarem referências e conhecimentos técnicos no meio analógico, visitando exposições, museus e consultando livros.
Para produzir trabalhos com relevância mercadológica, capacidade de preservação histórica e impacto social duradouro, é necessário quebrar a lógica pautada na economia da atenção e na busca imediata por curtidas.
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