Desenvolvimento do Comportamento Enganoso em Crianças
Um estudo liderado pela Universidade de Bristol, no Reino Unido, revelou que bebês com menos de um ano de idade já demonstram sinais iniciais de comportamento enganoso. Essa descoberta desafia a ideia de que mentir depende de habilidades linguísticas avançadas. De acordo com a pesquisa, publicada na revista Cognitive Development, cerca de um quarto das crianças começa a apresentar indícios de compreensão do engano por volta dos dez meses, número que sobe para metade aos 17 meses.
Baseado em entrevistas com mais de 750 famílias no Reino Unido, Estados Unidos, Austrália e Canadá, o estudo traçou um panorama detalhado de como o engano se desenvolve desde os primeiros meses até os quatro anos de idade. Os dados mostram que a habilidade de mentir e ludibriar aparece cedo e se torna progressivamente mais sofisticada ao longo da infância.
Formas Iniciais de Engano
Logo nos primeiros anos de vida, a trapaça não se manifesta como mentiras elaboradas, mas como estratégias simples. Entre os comportamentos mais comuns estão fingir não ouvir os pais, esconder objetos ou consumir alimentos proibidos sem ser visto. Essas atitudes não dependem necessariamente da fala.
Para chegar a essa conclusão, a equipe se baseou em estudos sobre comportamento de chimpanzés e aves, que demonstram práticas enganosas mesmo sem linguagem estruturada. Isso sugere que a base da mentira pode ser mais instintiva e anterior ao desenvolvimento verbal.
Desenvolvimento da Mentira
A partir dos dois anos, a mentira passa a envolver ações mais intencionais e respostas verbais simples. Isso inclui, por exemplo, negar algo que fizeram ou evitar tarefas fingindo distração. Por volta dos três anos, há um avanço significativo. Nessa fase, as crianças começam a elaborar histórias, exagerar, omitir informações e até inventar explicações completas.
Os pesquisadores identificaram 16 tipos diferentes de engano, evidenciando uma progressão clara em complexidade. Esse desenvolvimento está associado ao avanço da linguagem e à capacidade de compreender que outras pessoas têm pensamentos e percepções próprias.
Além disso, o estudo também aponta que o comportamento de tentar ludibriar é frequente entre os bebês. Entre as crianças já classificadas como capazes de enganar, metade havia feito algo furtivo no dia anterior ao levantamento.
Para os autores, isso reforça que mentir ou enganar é parte do desenvolvimento típico. Conhecer essas etapas pode ajudar adultos a lidar melhor com as situações do cotidiano.
- Compreender o desenvolvimento do comportamento enganoso em crianças pode ajudar os pais a lidar melhor com as situações do cotidiano.
- A habilidade de mentir e ludibriar aparece cedo e se torna progressivamente mais sofisticada ao longo da infância.
- O estudo sugere que a base da mentira pode ser mais instintiva e anterior ao desenvolvimento verbal.
Este conteúdo pode conter links de compra.
Fonte: link