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Autonomia de veículo elétrico: por que o Inmetro indica menos do que o real

Autonomia de Veículo Elétrico: Entendendo o Padrão Brasileiro

O mercado de veículos elétricos no Brasil está em constante crescimento, com um aumento de 26% em 2025, totalizando 223,9 mil veículos eletrificados emplacados no ano. Com mais consumidores considerando a compra de um veículo elétrico, a interpretação correta das etiquetas de autonomia se tornou um ponto crítico de decisão.

De acordo com Clemente Gauer, coordenador do Grupo de Trabalho sobre Segurança e integrante do Conselho Diretor da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), o padrão brasileiro de medição de autonomia de veículos elétricos, o PBEV, é o mais conservador entre os principais ciclos de testes usados no mundo. Isso significa que o PBEV costuma indicar uma faixa de alcance até 30% abaixo do que o carro consegue percorrer na prática.

Ciclos de Testes e Autonomia

Cada país adota um ciclo de testes com níveis distintos de exigência. O ciclo chinês é o mais otimista, testando em condições próximas ao ideal, com velocidades baixas e constantes. O europeu (WLTP) é menos otimista, mas ainda tende a superar a realidade. Já o norte-americano (EPA) é o que mais se aproxima do uso cotidiano.

O PBEV aplica um fator de correção de 30% sobre os testes laboratoriais, o que o torna mais conservador do que o EPA. Gauer considera isso injusto com o setor, pois pode levar os consumidores a subestimar a autonomia real do veículo.

Fatores que Afetam a Autonomia

Além dos ciclos de teste, Gauer destaca os fatores que afetam a autonomia no dia a dia, incluindo:

  • Perfil do pneu: rodas com menor volume de borracha consomem mais energia e podem reduzir a autonomia em até 20%.
  • Pressão mal calibrada e vento contrário: cada um representa cerca de 5% de impacto na autonomia.
  • Velocidade: carros elétricos consomem mais energia na estrada do que na cidade, devido à resistência aerodinâmica.
  • Frio: a perda de autonomia devido ao frio é desprezível, em torno de 3 a 4 quilômetros, nas temperaturas típicas do Brasil.

Gauer também contextualiza a autonomia necessária frente ao uso real, destacando que o brasileiro percorre, em média, 35 quilômetros por dia. A maioria dos modelos disponíveis hoje faz no mínimo 280 a 300 quilômetros com uma carga, o que significa recarregar uma vez por semana ou menos.

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