Autismo: Desafios no Acesso a Diagnóstico e Terapias no Brasil
O estudo Mapa Autismo Brasil (MAB) trouxe à luz os desafios enfrentados pelas pessoas autistas e seus cuidadores no Brasil, especialmente em relação ao acesso ao diagnóstico e às terapias. A pesquisa, realizada pelo Instituto Autismos, ouviu mais de 23 mil pessoas, incluindo autistas e cuidadores, em todos os estados do país.
Os resultados mostram que, apesar de cerca de 25% da população brasileira ter acesso a planos de saúde, apenas 20,4% das pessoas entrevistadas informaram ter confirmado o diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA) pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, apenas 15,5% dos entrevistados disseram realizar terapias pela rede pública de saúde, enquanto mais de 60% informaram usar planos de saúde ou pagar de forma particular para ter acesso ao serviço.
- 65,3% dos autistas brasileiros são homens e 34,2% são mulheres;
- 72,1% estão na faixa etária até 17 anos, enquanto 27,9% têm entre 18 e 76 anos;
- 28,6% têm renda familiar até R$ 2.862; 37,9%, entre R$ 2.862 e R$ 9.540; e 20,33%, acima de R$ 9.540.
Os dados também revelam que a maioria dos diagnósticos de TEA ocorre precocemente, mas ainda há um número relevante de diagnósticos realizados em idades mais avançadas. Além disso, os primeiros sinais de TEA são percebidos majoritariamente por familiares próximos ou pela própria pessoa autista.
Em relação às terapias, as mais frequentes são psicoterapia (52,2%), terapia ocupacional (39,4%), fonoaudiologia (38,9%), psicopedagogia (30,8%) e terapia ABA (29,8%). No entanto, 16,4% dos participantes declararam não realizar terapias.
O estudo também destaca a importância da inclusão e do acesso a recursos educacionais para as pessoas autistas. No entanto, os dados mostram que a presença na escola não garante, por si só, a inclusão efetiva, e que a elevada proporção de estudantes sem apoios básicos sugere fragilidade na implementação das políticas de educação inclusiva.
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