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ANOS 80 | PARTE 6: QUANDO O AUGE DA INDÚSTRIA VIROU AÇÃO SOCIAL E POLÍTICA

Os Anos 80: Quando a Indústria Musical Virou Ação Social e Política

A década de 80 foi marcada por uma transformação significativa na indústria musical, que passou a ser utilizada como ferramenta para causas humanitárias e políticas em escala global. Essa mudança foi possível graças à profissionalização dos megaconcertos beneficentes e à utilização da mídia para mobilizar recursos e pressionar governos.

Um dos primeiros exemplos disso foi o Concert for Bangladesh, organizado por George Harrison em 1971, que reuniu artistas como Ravi Shankar, Bob Dylan e Eric Clapton para arrecadar fundos para a crise humanitária em Bangladesh. No entanto, foi apenas nos anos 80 que esse modelo ganhou escala industrial, com a estrutura de marketing, transmissão global via satélite, patrocínios corporativos e integração com rádio e televisão.

Band Aid e Live Aid: O Início de uma Nova Era

Em 1984, o músico irlandês Bob Geldof decidiu agir após assistir a uma reportagem sobre a fome na Etiópia e criou o projeto Band Aid, que reuniu as maiores estrelas do pop britânico para lançar um single beneficente. O sucesso foi imediato e histórico, com o single tornando-se o mais vendido da história do Reino Unido até então.

Em 1985, o Live Aid foi realizado, com concertos simultâneos no Wembley Stadium, em Londres, e no John F. Kennedy Stadium, na Filadélfia. O evento reuniu artistas como Queen, U2, David Bowie e Madonna, e arrecadou mais de 100 milhões de dólares para o combate à fome na África.

Outros Projetos e Iniciativas

Além do Band Aid e Live Aid, outros projetos e iniciativas foram criados, como o USA for Africa, que reuniu artistas norte-americanos para criar uma canção beneficente, e o Northern Lights, que foi a resposta canadense ao movimento. O Farm Aid, criado por Willie Nelson, John Mellencamp e Neil Young, foi voltado para a crise dos agricultores familiares nos EUA.

A década também viu ações de cunho explicitamente político, como o Artists United Against Apartheid, que lançou o single “Sun City” como forma de protesto contra o regime do apartheid na África do Sul. O heavy metal também entrou na causa, com o projeto Hear ‘n Aid, que reuniu mais de 40 nomes do gênero para gravar a faixa “Stars”.

Legado da Década

O que torna os anos 80 verdadeiramente únicos não é apenas o volume de projetos beneficentes, mas o contexto em que eles aconteceram: no auge absoluto da indústria musical global. A mesma engrenagem que produzia hits planetários e ídolos midiáticos foi redirecionada para mobilização humanitária e pressão política.

A década redefiniu o alcance social da música, transformando palco em tribuna, refrão em manifesto e popularidade em ferramenta de transformação. Os anos 80 não redefiniram apenas o som do mundo, mas também o papel da música na sociedade.

  • Band Aid: o single que mudou tudo
  • Live Aid: o planeta assistindo junto
  • USA for Africa: a resposta americana
  • Farm Aid: a causa doméstica
  • Artists United Against Apartheid: o engajamento político
  • Hear ‘n Aid: o heavy metal também entra na causa

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