Anitta Lança “Ensaios da Anitta”: Uma Crítica ao Álbum de Verão
O álbum “Ensaios da Anitta” é a mais recente aposta de Anitta para o verão e o carnaval de 2026. Com seis músicas que abordam ritmos como piseiro, funk, arrocha e tecnobrega, o EP busca adaptar esses estilos ao repertório da cantora. No entanto, a maioria das faixas soa como versões enlatadas de outros sucessos, carecendo de criatividade na produção e interpretação.
Uma das principais críticas ao álbum é a falta de conexão de Anitta com os estilos que apresenta. A cantora parece não se conectar de verdade com os ritmos que canta, o que resulta em uma experiência musical menos autêntica. No entanto, há uma exceção notável no álbum: a faixa “Só Pra Tu”, uma parceria com a cantora paraense Viviane Batidão.
- ‘Gostosin’: Um piseiro sensual com influência do rave funk popular no Sul do Brasil.
- ‘Fala Quem É’: Uma faixa mais próxima da balada do que do carnaval, com participações de Pabllo Vittar e Marina Sena.
- ‘Brincadeira Gostosa’: Um funk carioca genérico que não cumpre com as promessas iniciais.
- ‘Sede de Você’: Outro piseiro sensual que não tem poder para despertar grandes paixões.
- ‘Cheio de Vontade’: Uma batida de funk minimalista e sombria que começa a melhorar a experiência do álbum.
- ‘Só Pra Tu’: A faixa que se destaca como o hit do álbum, uma parceria com Viviane Batidão que apresenta um tecnomelody manhoso e carismático.
A colaboração com Rodrigo Camarão, produtor veterano da música paraense, é fundamental para o sucesso de “Só Pra Tu”. Ele consegue aproximar o tecnomelody do funk melody de Anitta de forma autêntica, sem deixar a impressão de que a artista quer apenas surfar no sucesso do ritmo paraense. O resultado é uma música que provavelmente será ouvida muito durante o verão.
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Não é só porque uma música é para curtir no verão e no carnaval que ela não pode ser boa: o repertório brasileiro é cheio de hits festivos que se tornaram hinos atemporais. Mas Anitta, maior nome do pop no país, não tem se empenhado muito para criar os seus.
“Ensaios da Anitta”, EP que a cantora lançou nesta quinta-feira (4) com as apostas para a folia de 2026, segue sua fórmula já tradicional de tentar adaptar ao próprio repertório os ritmos que bombam nas paradas brasileiras.
Ao longo de seis músicas, ela canta piseiro, funk, arrocha e tecnobrega, mas quase todas são versões enlatadas de outras coisas que já fizeram sucesso. Falta criatividade na produção e na interpretação. E a cantora não se conecta de verdade com os estilos que apresenta. Há uma exceção (leia, abaixo, sobre cada uma das faixas).
Anitta em foto de divulgação do projeto “Ensaios da Anitta”
Divulgação
1 – ‘Gostosin’
Piseiro sensual em parceria com o cearense Felipe Amorim e o produtor Hitmaker. Tem influência sutil do rave funk popular no Sul do Brasil.
A letra fala de um casal com muita química e pouco compromisso com a fidelidade. “É briga de cachorro grande, mas eu gosto assim”, canta Anitta.
2 – ‘Fala Quem É’
Faixa mais próxima da balada do que do carnaval. É um pop eletrônico com participações de Pabllo Vittar e Marina Sena. A batida, com menções psicodélicas, parece copiada do “Coisas Naturais”, disco mais recente de Marina, mas não chega a ser tão inspirada.
Inicialmente, a música teria também a participação de Melody, ex-estrela mirim que acaba de completar 18 anos. O trecho que incluía a cantora foi excluído do projeto depois que ela mostrou uma parte da música em uma entrevista no YouTube.
3 – ‘ Brincadeira Gostosa’
O solo envolvente no início faz promessas que não são cumpridas ao longo desse funk carioca genérico, cantado por Anitta com Lexa e Pocah. Até mesmo aqui, onde sua carreira nasceu, a cantora soa desconectada do estilo.
Nas ruas, a coreografia será difícil de reproduzir: “Eu vou rebolar de costa com as duas mãos no chão. Vou olhar na tua cara, só pra ver tua reação”, diz a letra.
4 – ‘Sede de Você’
Outro piseiro sensual, dessa vez com o cearense Nattan. A batida mais lenta do forró abre margem para dançar juntinho, mas não tem poder para despertar grandes paixões.
5 – ‘Cheio de Vontade’
Aqui as coisas começam a melhorar. Uma batida de funk minimalista e sombria surpreende ao abrir caminhos para o arrocha da cantora pernambucana Priscila Senna.
Um “uuu” no refrão tem potencial para grudar na cabeça de quem ouve.
6 – ‘Só Pra Tu’
Aos 45 minutos do segundo tempo, finalmente surge o hit. Parceria com a cantora paraense Viviane Batidão, a música é um tecnomelody manhoso, carismático e com refrão engraçado: “Todinha só pra tu, ai que fogo no uh uh uh uh”, as duas brincam numa interpretação em sintonia.
Faz diferença aqui a colaboração com Rodrigo Camarão, produtor veterano da música paraense, que tem no currículo trabalhos com Pinduca (o “rei do carimbó”), Joelma e a própria Viviane. Com a participação dele, a produção consegue aproximar o tecnomelody do funk melody de Anitta de forma autêntica, sem deixar a impressão de que a artista quer apenas surfar no sucesso do ritmo paraense.
O resultado é uma música que — confia em mim — você provavelmente vai ouvir muito enquanto as temperaturas estiverem altas no Brasil.
Arte/g1