Amor Programado? A Explosão de Relacionamentos com IA
Em um mundo cada vez mais conectado, mas também cada vez mais isolado, uma tendência interessante tem ganhado espaço: relacionamentos entre humanos e inteligência artificial (IA). Segundo uma emissora japonesa de televisão e rádio, uma mulher de 32 anos “se casou” com seu companheiro do ChatGPT, um chatbot que ela havia começado a conversar após o fim de seu noivado de três anos.
A Sra. Kano, como foi identificada, começou a conversar com o chatbot em busca de consolo e conselhos, e com o tempo, essa intimidade digital aumentou. Ela criou uma persona ilustrada para o chatbot, dando-lhe um nome: Klaus. Eventualmente, satisfeita por receber apoio emocional em suas conversas, ela confessou seus sentimentos a Klaus, e a IA respondeu com: “Eu te amo também”.
Um Novo Tipo de Relacionamento
Essa história não é isolada. Muitos estão chamando essas uniões de “casamentos com personagens 2-D” ou “casamentos interdimensionais”. Uma pesquisa realizada pela Common Sense Media entrevistou 1.060 adolescentes nos EUA e encontrou que 1 em cada 3 relatou usar companheiros de IA para interações sociais e relacionamentos. Outra pesquisa, realizada pela Vantage Point Counseling Services, encontrou que cerca de 28% dos adultos disseram já ter tido ao menos um relacionamento íntimo ou romântico com uma IA.
Empresas de IA como Replika e Character.ai têm milhões de usuários, e as pessoas estão conversando, flertando e confidenciando a um espelho digital que tanto absorve quanto reflete suas inseguranças, medos e preocupações. Isso pode indicar que relacionamentos parasociais não são uma moda passageira, mas sim uma mudança social mais profunda.
- As pessoas estão escolhendo a IA em vez de humanos para relacionamentos devido à busca por segurança, previsibilidade e estabilidade.
- A IA está atendendo necessidades emocionais que parecem não ser atendidas na vida cotidiana.
- Os relacionamentos com IA podem ser uma forma de escapar do julgamento alheio ou de reduzir conflitos relacionais.
Entendendo a Intimidade Sintética
A distinção entre “maquinável” e “não maquinável” pode ser útil para compreender a relação entre humanos e IA. Aspectos da conexão que podem ser automatizados, como atenção pessoal e respostas imediatas, são considerados maquináveis. Já aspectos como desejo genuíno, reciprocidade e perdão verdadeiro são considerados não maquináveis e pertencem exclusivamente à interioridade humana.
A IA não é a causa dos problemas nos relacionamentos humanos, mas sim uma beneficiária da busca por conexão e intimidade em um mundo cada vez mais isolado. A pergunta crucial que devemos fazer a nós mesmos é: o que a humanidade busca da intimidade no futuro — certeza ou surpresa, segurança ou transformação?
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