Resenha Crítica: “Natal Amargo” de Pedro Almodóvar
O novo filme de Pedro Almodóvar, “Natal Amargo”, é uma reflexão sobre os limites da criação e o fazer artístico. O diretor espanhol de 76 anos volta à sua língua nativa e à Espanha, cenário de toda a sua filmografia, para colocar suas memórias e carreira no divã em uma espécie de inflexão autobiográfica.
O filme acompanha a história de dois cineastas obcecados por trabalho: Elsa e Raúl, que pode ser “lido” como um alter ego de Almodóvar. A trama é uma metalinguagem sobre o fazer artístico, explorando a relação entre criador e criatura, e a forma como a vida real desmonta o controle do cineasta.
A Estética de Almodóvar
O filme entrega exatamente o que se espera de um “almodrama” em termos de estética: enquadramentos belíssimos, direção de arte primorosa. O diretor também mostrou que não perdeu a mão para dosar o drama com pitadas de humor aqui e ali.
No entanto, a sensação que fica é a de que o diretor espanhol escolheu a dedo os melhores recortes e os questionamentos para os quais ele já teria respostas confortáveis para dar. A expectativa foi criada por ele mesmo, e o filme carece de mais honestidade.
- A trama é complexa e pode ser confusa, com duas narrativas correndo em paralelo e saltando entre 2004 e 2026.
- O filme levanta questões interessantes sobre o direito de um artista de usar a vida alheia para fabricar suas obras.
- A vida real parece sempre desmontar o controle do cineasta, e Almodóvar é ousado ao propor esse tipo de reflexão sobre o que fez de si mesmo ao longo de sua vida.
Em resumo, “Natal Amargo” é um filme que entrega em termos de estética, mas carece de mais honestidade e profundidade em sua reflexão sobre o fazer artístico. Almodóvar é corajoso ao tentar ser melhor do que já foi, mas o filme não vai até as últimas consequências.
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