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Álbum que conecta Erasmo Carlos com rappers funciona quando há real diálogo entre os dois universos musicais

Álbum que conecta Erasmo Carlos com rappers funciona quando há real diálogo entre os dois universos musicais

O álbum “Mano” é um projeto que visa conectar o legado musical de Erasmo Carlos com o universo do hip hop brasileiro, através de recriações de músicas lançadas pelo cantor e compositor carioca entre 1971 e 1973. O álbum conta com a participação de nomes relevantes do hip hop brasileiro, como Budah, Criolo, Dexter, Emicida, Marcelo D2, Rael, Tasha & Tracie, Tássia Reis e Xamã.

Na primeira faixa do álbum, “É preciso dar um jeito, meu amigo / A vida irrita a arte”, a música original de Erasmo Carlos praticamente desaparece ao longo dos três minutos da faixa, sendo substituída por um discurso potente feito por Emicida sobre base criada pelo duo Tropkillaz. No entanto, ao longo do álbum, a interação entre gerações e gêneros é de fato efetivada, e o álbum cresce na medida em que o diálogo entre o cancioneiro de Erasmo e o rap é realizado de forma eficaz.

  • A faixa “Cachaça mecãnica / Queimando tudo” é um exemplo disso, com a rapper capixaba Budah expõe no rap todo o peso da cabeça de João, protagonista da letra, criando uma simbiose perfeita entre o samba-rock original e o rap.
  • O rapper Dexter lança mão do refrão-título de música do cantor Silvio Brito – “Tá todo mundo louco” – ao comentar o discurso de “Mundo cão” (1972) – música lançada por Erasmo no álbum “Sonhos e memórias – 1941 / 1972” – no rap “Quem é herói ou vilão?”.
  • A dupla Tasha & Tracie rima sobre batidas suaves do produtor Pizol no rap “O tempo é amigo e inimigo” em diálogo inteligente com “Grilos” (1972).

No arremate de “Mano”, o álbum se eleva com a reunião de Erasmo com Criolo e Tássia Reis em “Gente aberta / Imensamente visceral”. Criolo dá voz aos versos de “Gente aberta” (1971) em dueto convencional com Erasmo até a entrada do rap de Tássia Reis. A pulsação do toque de Edy Trombone contribui para a atmosfera de sedução dessa faixa que encerra bem “Mano”, álbum cujo saldo é positivo.

Em resumo, o álbum “Mano” é um projeto bem-sucedido que conecta o legado musical de Erasmo Carlos com o universo do hip hop brasileiro, criando um diálogo eficaz entre gerações e gêneros musicais.

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