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Adolpho Veloso, indicado ao Oscar por “Sonhos de Trem”: “É tudo muito surreal”

Adolpho Veloso: O Mestre da Fotografia por trás de “Sonhos de Trem”

O cinema é uma arte que envolve não apenas o que está dentro do quadro, mas também o que fica fora dele, como disse Martin Scorsese. Em “Sonhos de Trem”, o trabalho de Adolpho Veloso, diretor de fotografia indicado ao Oscar, se torna essencial para a narrativa do filme.

A câmera observa o mundo com paciência, capturando paisagens amplas, florestas densas e montanhas que parecem cortar territórios quase intocados. A fotografia aposta em observação paciente, quase meditativa, com a luz natural moldando a textura das imagens e os enquadramentos deixando espaço para o acaso.

O filme, dirigido por Clint Bentley e baseado no livro de Denis Johnson, acompanha décadas da vida de um trabalhador da construção de ferrovias no interior dos Estados Unidos no início do século 20. A fotografia de Adolpho Veloso se torna uma camada fundamental da experiência, ajudando a construir o sentimento de passagem do tempo e deslocamento que atravessa a história.

A Trajetória de Adolpho Veloso

Antes de chegar a Hollywood, a trajetória de Adolpho Veloso foi construída gradualmente, com projetos pequenos e trabalhos em publicidade e cinema. Ele começou a ganhar dimensão internacional com trabalhos em países como Argentina, Portugal, México e Estados Unidos.

Um momento importante foi o encontro com o diretor Clint Bentley em “Jockey” (2021), que abriu caminho para que ele fosse convidado novamente para “Sonhos de Trem”. Dessa vez, Veloso participou desde as primeiras etapas de desenvolvimento do filme, o que permitiu que a linguagem visual fosse construída em diálogo com o tom emocional da narrativa.

As Influências de Adolpho Veloso

Adolpho Veloso revela que filmes como “Dias de Paraíso” (1978), “O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford” (2007), “Cidade de Deus” (2002), “Ataque dos Cães” (2021) e “Feliz como Lázaro” (2018) o inspiraram ao longo de sua carreira. Esses filmes compartilham um olhar particular sobre luz, paisagem e atmosfera, que é característico do trabalho de Veloso.

  • “Dias de Paraíso” (1978) – uma aula de luz natural com Terrence Malick e Néstor Almendros.
  • “O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford” (2007) – um western que respira melancolia com Andrew Dominik e Roger Deakins.
  • “Cidade de Deus” (2002) – um filme que explodiu a tela com Fernando Meirelles e Kátia Lund.
  • “Ataque dos Cães” (2021) – um filme de tensão pura com Jane Campion e Ari Wegner.
  • “Feliz como Lázaro” (2018) – um filme que cria algo entre realismo e fábula com Alice Rohrwacher e Hélène Louvart.

A indicação ao Oscar é um reconhecimento ao trabalho de Adolpho Veloso e ao cinema brasileiro, que está vivendo um momento significativo. Veloso se vê em uma posição pouco familiar, lidando com entrevistas, fotos e eventos da temporada, mas reconhece que essa exposição faz parte do processo de levar o filme até o público.

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