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A História do Disco Grunge de Mariah Carey

Em meio aos sucessos pop que definiram sua carreira, Mariah Carey tem um capítulo menos conhecido, mas quase lendário, na sua trajetória. Trata-se de um projeto alternativo com estética grunge/rock, gravado nos anos 1990 e lançado de forma velada sob o nome da banda fictícia Chick, intitulado Someone’s Ugly Daughter.

Esse projeto tornou-se um ponto de curiosidade entre fãs e críticos ao longo dos anos, reforçando a versatilidade artística de Carey e ampliando a compreensão sobre sua liberdade criativa naquele período. A história foi detalhada pela própria artista em sua autobiografia The Meaning of Mariah Carey.

Capítulo 1 – O Contexto: Quando o Grunge Mudou a Indústria

No início dos anos 1990, a música pop vivia uma transição profunda. A estética glam e o pop altamente produzido dos anos 1980 começavam a perder espaço para um som mais cru, introspectivo e visceral. Foi nesse cenário que o grunge explodiu, com o impacto de Nirvana e o lançamento de Nevermind em 1991, mudando radicalmente o mercado musical.

A ascensão de Pearl Jam, Soundgarden e Alice in Chains consolidou uma estética que valorizava guitarras distorcidas, letras existenciais e uma atitude anti-glamour. O grunge não foi apenas um gênero, mas uma mudança de linguagem cultural, onde a indústria passou a buscar autenticidade, imperfeição e identidade artística menos polida.

Capítulo 2 – O Projeto que Nasceu Quase por Acaso

Em 1995, enquanto promovia Daydream e consolidava seu domínio nas paradas pop, Mariah Carey decidiu explorar uma vertente criativa que pouco dialogava com sua imagem pública. Ela passou a compor e gravar faixas com estética mais crua e abordagem vocal menos ornamental do que o público estava acostumado a ouvir.

O resultado foi Someone’s Ugly Daughter, um projeto influenciado pelo rock alternativo da época. No entanto, o álbum foi lançado oficialmente sob o nome da banda fictícia Chick, sem que Mariah assumisse os vocais principais na versão disponibilizada ao público.

Capítulo 3 – Por que o Álbum Voltou a Ser Motivo de Curiosidade

Durante anos, Someone’s Ugly Daughter permaneceu como uma nota de rodapé intrigante na carreira de Mariah Carey. Isso mudou na semana do Grammy de 2026, quando Mariah foi celebrada por sua trajetória de décadas na cerimônia Pessoa do Ano da MusiCares.

O Foo Fighters, acompanhado por Taylor Momsen, apresentou um medley de faixas do álbum, reconhecendo publicamente uma fase criativa que por décadas foi tratada como curiosidade paralela. A reação da cantora reforçou o peso simbólico do momento, transformando a apresentação em validação histórica.

Capítulo 4 – O Suspense sobre o Álbum Permanece em 2026

Atualmente, o álbum completo não aparece oficialmente nas principais plataformas de streaming, e tampouco existe qualquer edição com os vocais principais de Mariah Carey disponível comercialmente. A forma mais acessível de ouvir o projeto na íntegra é por meio de uploads disponíveis no YouTube.

A ausência do álbum nos principais serviços de streaming reforça o caráter quase cult do projeto. Três décadas depois de sua gravação, Someone’s Ugly Daughter permanece como um capítulo parcialmente acessível — e oficialmente incompleto — da discografia ampliada de Mariah Carey.

Epílogo – Significado, Recepção Moderna e um Legado Aberto

A repercussão da homenagem na MusiCares reforçou a percepção de que o álbum merece ser compreendido como parte legítima da trajetória artística de Mariah Carey. De experimento paralelo a referência cult, o projeto passou a simbolizar liberdade criativa, levantando discussões sobre identidade artística, estratégias de mercado e os limites impostos pela indústria musical nos anos 90.

Três décadas depois, Someone’s Ugly Daughter permanece como capítulo aberto — um registro que continua despertando interesse e reafirmando que grandes carreiras raramente são lineares. Algumas histórias não desaparecem; apenas aguardam o momento certo para serem redescobertas.

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