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Um Filme sobre Ary Barroso: Uma Abordagem Fria e Linear
O documentário “Ary”, dirigido por André Weller, é uma tentativa de contar a história do compositor e pianista mineiro Ary Barroso, um dos principais nomes da música brasileira dos anos 1930 aos anos 1950. No entanto, o filme não consegue transmitir a grandeza e a influência da obra de Barroso, optando por uma abordagem fria e linear.
A escolha estética do diretor é evidenciada na abertura do filme, que apresenta a morte dos pais de Barroso em formato de novela de rádio, protagonizada por Dira Paes e Stepan Nercessian. Em seguida, a voz de Lima Duarte narra textos escritos por Barroso na primeira pessoa, sobre imagens novas e antigas que tentam recriar a atmosfera do Rio de Janeiro na época do compositor.
Embora a tentativa de Weller de inovar a estrutura convencional dos documentários musicais biográficos seja louvável, o resultado é uma narrativa arrastada e fria. O uso recorrente da voz de Lima Duarte prejudica o ritmo da narrativa, tornando-a às vezes enfadonha. Além disso, a falta de emoção no filme é notável, o que torna difícil para o espectador se conectar com a história de Barroso.
Algumas imagens raras e a seleção de gravações ouvidas no filme são pontos positivos, mas não são suficientes para compensar a falta de profundidade e contexto na narrativa. A exposição de imagens de Barroso em movimento e a presença de Carmen Miranda, principal intérprete do compositor nos Estados Unidos, são alguns dos poucos momentos que dão alento ao espectador.
Em resumo, o filme “Ary” deixa a sensação de que Barroso ainda merece um documentário que contextualize com mais precisão a grandeza e a difusão da sua obra, e que investigue os meandros da personalidade do compositor. Até então, o filme atual não consegue fazer justiça à importância e influência de Ary Barroso na música brasileira.
- O documentário “Ary” é uma tentativa de contar a história do compositor e pianista mineiro Ary Barroso.
- A abordagem fria e linear do filme não consegue transmitir a grandeza e a influência da obra de Barroso.
- A falta de emoção e a narrativa arrastada são pontos negativos do filme.
- Algumas imagens raras e a seleção de gravações ouvidas no filme são pontos positivos.
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