Relatórios Policiais com IA: Economia de Tempo ou Perda de Eficiência?
A Axon, uma empresa de tecnologia policial avaliada em US$ 35 bilhões, lançou uma ferramenta de IA chamada Form One, que promete poupar o tempo dos agentes ao preencher os detalhes administrativos do boletim de ocorrência. No entanto, após sete meses de teste em Lafayette, Indiana, muitos policiais constataram que a ferramenta estava fazendo com que perdessem tempo, em vez de economizá-lo.
Os policiais relataram que o Form One tinha dificuldades para registrar os nomes ou placas corretos, mesmo quando eram falados claramente nas gravações das câmeras. Além disso, o processo de revisar o trabalho feito pela IA para garantir a precisão dos relatórios se tornou um fardo pesado para alguns agentes.
- O Form One é o complemento mais recente do carro-chefe da Axon em IA, o Draft One, que redige a narrativa do que aconteceu durante o incidente.
- A Axon afirma que o Draft One já é utilizado por 600 departamentos de polícia nos EUA e ajudou a elaborar 600 mil boletins de ocorrência, poupando um tempo estimado em 300 mil horas.
- No entanto, um estudo publicado em 2024 no Journal of Experimental Criminology concluiu que não houve melhoria no tempo total de conclusão dos relatórios, pois os policiais gastavam um tempo considerável lapidando o texto da IA.
A porta-voz da Axon, Victoria Keough, afirmou que o Form One está em fase de acesso antecipado e que os policiais mantêm controle total sobre a versão final do relatório. No entanto, os policiais de Lafayette ainda não definiram se usarão o Form One a longo prazo.
Além disso, a preocupação de que a IA leve ao desleixo fez com que algumas jurisdições avisassem que não aceitarão relatórios gerados por computador como prova. Em 2024, a Promotoria de King County, no estado de Washington, informou aos órgãos policiais que recusaria relatórios feitos com o auxílio de IA devido às “alucinações” do sistema.
Outras startups, como a Abel Police e a Code Four, lançaram suas próprias versões da ferramenta Draft One, que analisam não apenas o áudio, mas também as imagens das câmeras corporais. No entanto, a integração da IA às câmeras corporais também levanta preocupações sobre a vigilância em massa e a privacidade dos cidadãos.
Um exemplo disso é o uso de um notebook por um estudante adolescente que digitou uma frase do desenho animado Bob Esponja, que foi interpretada mal por um colega de classe e levou a uma ocorrência policial.
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