Macacos têm capacidade geométrica semelhante à de humanos, revela estudo
Um estudo recente publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences revelou que macacos têm a capacidade de traçar correspondências geométricas de forma similar aos seres humanos. A pesquisa, conduzida por pesquisadores da Universidade Carnegie Mellon e do Instituto de Tecnologia de Rochester, foi realizada no Zoológico de Seneca Park, em Nova York, como parte do projeto colaborativo Portal dos Primatas.
Os pesquisadores utilizaram uma tela sensível ao toque para estimular a participação dos macacos, oferecendo petiscos nutritivos à base de frutas para que eles participassem de um jogo que consistia em associar formas geométricas bidimensionais. A equipe de pesquisa foi surpreendida não apenas pela capacidade dos macacos de realizar a tarefa, mas também pela semelhança com a forma como crianças e adultos pensam sobre relações geométricas.
Métodos e resultados
A tarefa proposta aos macacos era mais complexa do que parece à primeira vista, pois não havia características distintivas entre os objetos, como cor, tamanho ou forma. Em vez disso, os animais tiveram que encontrar a correspondência correta com base apenas na semelhança geométrica. Um dos babuínos, chamado Kalamata, destacou-se no desafio, realizando todo tipo de “tarefa matemática” por duas ou três horas.
Os cientistas também repetiram o experimento com três grupos de seres humanos: 79 adultos indígenas do povo Tsimane’, da Bolívia; dezenas de crianças de 3 a 6 anos da Escola Infantil da Universidade Carnegie Mellon; e 21 adultos americanos. Isso permitiu que os pesquisadores separassem a idade da experiência cultural e identificassem uma continuidade em como primatas e humanos pensam sobre geometria básica.
- Os resultados mostraram que macacos, crianças e adultos pensam sobre relações geométricas de maneira fundamentalmente semelhante.
- A pesquisa sugere que as intuições geométricas fazem parte da arquitetura básica da mente dos primatas.
- Os autores da pesquisa identificaram uma continuidade em como primatas e humanos pensam sobre geometria básica, o que pode ajudar no ensino de geometria a crianças em idade escolar.
Segundo a pesquisadora Jessica Cantlon, “se quisermos entender como as crianças aprendem geometria, precisamos entender o que elas já trazem consigo antes do início do ensino formal. Este estudo sugere que as crianças começam com intuições profundas e evolutivamente ancestrais sobre forma e espaço. A educação pode se basear nessas intuições, em vez de tratar a geometria como algo que precisa ser ensinado do zero”.
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