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Como o corpo sente que está calor ou frio? Estudo descobre novo mecanismo

Como o Corpo Sente que Está Calor ou Frio?

Um estudo recente publicado na revista Neuron identificou um novo mecanismo por trás da forma como o corpo humano percebe o calor e o frio. A equipe de pesquisadores da Alemanha e da Austrália descobriu que a maioria das células nervosas da pele sensíveis à temperatura consegue detectar tanto o frio quanto o calor, contrariando a visão aceita até então de que a pele dependeria de células nervosas separadas para captar cada uma dessas sensações.

Essas células nervosas especializadas, chamadas de termorreceptores, funcionam como o primeiro sistema de alerta do corpo diante de mudanças no ambiente. Elas detectam e transmitem ao cérebro o que está acontecendo na superfície do corpo. O ponto central da descoberta está em como esses neurônios se comunicam com o cérebro, sinalizando ambas as sensações de calor e frio.

Condução do Estudo

Para chegar a essas conclusões, os cientistas utilizaram técnicas avançadas de imagem em modelos de ratos para rastrear como milhares de células termorreceptoras respondiam a estímulos de temperaturas frias e quentes. Eles utilizaram um microscópio de dois fótons para observar, em tempo real, a atividade de milhares de neurônios sensoriais nos camundongos acordados, enquanto pequenos dispositivos térmicos aplicavam variações controladas de temperatura na pata dos animais.

A abordagem permitiu identificar diferentes padrões de resposta entre as células: uma parcela ativava-se predominantemente diante do frio, outra reagia mais ao calor, mas uma fração relevante dos termorreceptores mostrou-se capaz de responder às duas condições simultaneamente. Além disso, os pesquisadores identificaram que um canal iônico já conhecido por sua sensibilidade ao frio, chamado TRPM8, parece ser o principal responsável por esse comportamento duplo das células.

Aplicações no Tratamento de Disfunções Térmicas

Essa nova compreensão sobre o funcionamento dos termorreceptores pode orientar o desenvolvimento de tratamentos para pessoas que sofrem de disfunção térmica. Pessoas com lesão na medula espinhal, esclerose múltipla, diabetes ou neuropatia periférica podem perder partes dos sensores térmicos, o que dificulta a resposta a mudanças na temperatura ambiental. Além disso, o envelhecimento também é uma preocupação significativa, pois os idosos estão em risco durante ondas de calor e devido às mudanças climáticas.

Os cientistas agora buscam compreender se a disfunção dos termorreceptores poderia funcionar como um indicador precoce de degeneração no organismo. Uma relação semelhante já é conhecida entre a perda auditiva e a demência. A esperança é que a pesquisa mude a forma como os termorreceptores do corpo são compreendidos, o que é fundamental para o desenvolvimento de terapias eficazes.

  • Os termorreceptores são os primeiros a responder no corpo, detectando e transmitindo ao cérebro o que está acontecendo na superfície do corpo.
  • A maioria das células nervosas da pele sensíveis à temperatura consegue detectar tanto o frio quanto o calor.
  • O canal iônico TRPM8 parece ser o principal responsável por esse comportamento duplo das células.

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