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Tarifaço dos EUA: Celulares e Notebooks Vão Ficar Mais Caros no Brasil?

A tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros entra em vigor em 22 de julho e afeta uma extensa lista de exportações do Brasil para o mercado estadunidense. No entanto, isso não significa que celulares, notebooks, tablets e outros eletrônicos vendidos no Brasil vão ficar automaticamente mais caros.

O motivo é simples: a tarifa recai sobre o que o Brasil exporta aos EUA, não sobre o que o país importa. A maior parte dos eletrônicos comercializados no varejo brasileiro vem da Ásia, principalmente China e Vietnã, ou é montada em território nacional, na Zona Franca de Manaus.

Impactos indiretos ainda podem ocorrer, ligados ao câmbio, à percepção de risco sobre o Brasil e a uma eventual resposta do governo brasileiro por meio da Lei de Reciprocidade Econômica. Abaixo, estão as principais dúvidas sobre os impactos do “tarifaço” nos eletrônicos e no comércio digital:

  • Os eletrônicos vão ficar mais caros após o tarifaço?
  • O que acontece se a Lei da Reciprocidade entrar em vigor?
  • O que muda para as compras online?
  • O Pix é o culpado pelo tarifaço?
  • Por que os EUA tarifaram o Brasil?

Os eletrônicos vão ficar mais caros após o tarifaço? Não imediatamente. O tarifaço incide sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, entre eles etanol, vestuário, calçados, máquinas agrícolas e itens manufaturados. Celulares, notebooks e tablets vendidos no Brasil não entram nessa conta, porque o fluxo é o oposto: o país compra esses produtos de fora, não os exporta aos estadunidenses.

A maior parte dos eletrônicos vendidos no Brasil vem da Ásia, principalmente China e Vietnã, ou é montada localmente, na Zona Franca de Manaus. Isso explica por que a tarifa anunciada pelos Estados Unidos não altera diretamente a cadeia de abastecimento das varejistas brasileiras.

No entanto, existem caminhos indiretos para o consumidor sentir o efeito da tarifa. Uma eventual valorização do dólar, provocada pela piora da percepção de risco sobre a economia brasileira, encarece componentes importados, como semicondutores, telas e chips, cotados em dólar. Custos logísticos mais altos e uma possível retaliação brasileira completam a lista de fatores que poderiam pressionar preços.

A Lei de Reciprocidade Econômica pode mudar esse cenário, mas não torna automaticamente todos os produtos mais caros. Ela permite ao governo brasileiro suspender concessões comerciais e elevar tarifas sobre produtos de países que imponham barreiras contra o Brasil.

Por fim, o Pix não é o culpado pelo tarifaço. O sistema de pagamentos instantâneos aparece na investigação dos EUA, mas é apenas um dos argumentos usados pelo USTR para justificar o tarifaço. A decisão não foi motivada apenas pelo Pix, mas sim por uma investigação de um ano conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

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