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Costelas quebradas de bebê são evidência de abuso infantil há 6 mil anos

Costelas quebradas de bebê são evidência de abuso infantil há 6 mil anos

Um estudo recente publicado na revista International Journal of Osteoarchaeology revelou que os restos mortais de um bebê que viveu há cerca de 6 mil anos podem ser um dos casos mais antigos conhecidos de violência contra crianças no mundo e o mais antigo já documentado no Oriente Médio.

Os pesquisadores analisaram o esqueleto de uma criança encontrada no sítio arqueológico de Tell Brak, na atual Síria, e identificaram quatro costelas fraturadas próximas ao esterno, um crescimento anormal no fêmur direito e lesões porosas ativas nos dois lados do crânio. Essas lesões indicam que os ossos foram submetidos a forças externas intensas e repetitivas.

De acordo com os autores, essas lesões não são compatíveis com uma queda acidental e sugerem que o bebê sofreu violência induzida pelo cuidador. A expressão “violência induzida pelo cuidador” foi escolhida porque os vestígios arqueológicos não permitem identificar quem provocou os ferimentos nem determinar se houve intenção de matar a criança.

  • As fraturas nas costelas são relativamente comuns em adultos, mas são um forte indicativo de maus-tratos quando aparecem em bebês muito jovens.
  • Os pesquisadores descartaram diversas explicações médicas para os ferimentos, incluindo raquitismo, escorbuto, traumas ocorridos durante o parto e fraturas provocadas por crises intensas de tosse associadas a doenças como tuberculose.
  • As deficiências de vitaminas foram consideradas improváveis devido à abundante luz solar e acesso a alimentos frescos na antiga Mesopotâmia.

Os autores levantam a hipótese de que as pressões sociais associadas ao surgimento dos centros urbanos e uma possível redução do apoio da família extensa possam ter contribuído para o episódio de violência. Além disso, os pesquisadores destacam que casos documentados de violência contra crianças continuam sendo extremamente raros nos registros arqueológicos.

Esse estudo é um importante contributo para a compreensão da violência contra crianças ao longo da história e destaca a importância de considerar as pressões sociais e culturais que podem contribuir para esses casos.

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