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Em caso raro, mulher tem infecção por metal após prótese no quadril deslocar

Intoxicação por Cobalto: Um Caso Raro e Grave

Uma mulher de 56 anos desenvolveu um quadro raro e grave de intoxicação por cobalto após complicações envolvendo uma prótese de quadril. O caso, descrito por médicos em artigo publicado no New England Journal of Medicine, chamou atenção pela rapidez com que os sintomas evoluíram e pela gravidade da doença.

A paciente começou a sentir uma intensa sensação de formigamento nos pés, que se espalhou para as pernas e, posteriormente, para as mãos. Além disso, desenvolveu perda de memória recente, dificuldade de concentração, irritabilidade, falta de apetite e palpitações cardíacas. Os médicos inicialmente investigaram causas mais comuns para o quadro, mas nenhum dos exames apontou uma explicação convincente para o conjunto de sintomas.

Origem do Problema

A equipe descobriu que a paciente havia recebido uma prótese total de quadril cerca de 20 anos antes, após uma lesão causada por um acidente de carro. Embora mais de 90% desses implantes permaneçam funcionais por pelo menos três décadas, o dela começou a apresentar problemas após 19 anos de uso. A prótese sofreu um deslocamento no ano anterior à internação, mas foi recolocada sem necessidade de cirurgia.

Exames de imagem mostraram que um dos componentes da articulação artificial estava se deteriorando, levando à realização de uma cirurgia de revisão cerca de três meses antes do aparecimento dos sintomas mais graves. Somente quando os médicos tiveram acesso ao relatório dessa cirurgia encontraram a peça que faltava para solucionar o caso. O documento mostrou que o revestimento original de cerâmica da prótese havia se quebrado e sido substituído por outro material, enquanto a cabeça da articulação passou a ser feita de uma liga metálica composta por cobalto e cromo.

Consequências da Intoxicação

A articulação do quadril funciona como um encaixe entre a cabeça do fêmur e a bacia. Em uma prótese, esse movimento depende do contato entre componentes artificiais projetados para reduzir o atrito. No caso da paciente, pequenos fragmentos de cerâmica permaneceram na articulação mesmo após a primeira cirurgia de revisão. Essas micropartículas passaram a funcionar como um material abrasivo, desgastando rapidamente a nova peça metálica e liberando partículas de cobalto para os tecidos ao redor e, posteriormente, para a circulação sanguínea.

A intoxicação também pode afetar a tireoide, glândula responsável por regular o metabolismo. No caso descrito, isso ajudou a explicar por que a paciente precisou aumentar recentemente a dose do medicamento utilizado para tratar o hipotireoidismo. Além disso, o excesso de cobalto mantém ativado um mecanismo biológico que estimula a produção de glóbulos vermelhos, elevando artificialmente seus níveis no sangue.

  • A paciente passou por uma segunda cirurgia de revisão do quadril, onde os cirurgiões removeram os tecidos comprometidos, substituíram a peça metálica de cobalto-cromo por outra de cerâmica e trocaram o revestimento da prótese.
  • Foram iniciados tratamentos de quelação para facilitar a eliminação do cobalto pelo organismo.
  • A recuperação da paciente foi lenta e parcial, com melhora da capacidade de caminhar e redução da medicação para a tireoide, mas com persistência de sintomas neurológicos.

O caso reforça a importância dos cuidados em cirurgias de revisão e destaca como resíduos microscópicos de cerâmica podem acelerar o desgaste de componentes metálicos, aumentando rapidamente a liberação de cobalto para o organismo.

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