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Fissura Labiopalatina: Um Desafio que Requer Tratamento Precoce e Multidisciplinar

A fissura labiopalatina é uma malformação craniofacial congênita que afeta cerca de 1 em cada 650 nascimentos no Brasil, totalizando aproximadamente 5 mil casos por ano, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Essa condição não apenas apresenta desafios físicos, mas também emocionais e sociais, tornando o tratamento precoce e multidisciplinar fundamental para a reabilitação dos pacientes.

Entre as principais consequências da fissura labiopalatina estão dificuldades na alimentação, fala, audição, desenvolvimento dentário e respiração. Além disso, os pacientes podem enfrentar repercussões emocionais e sociais que podem acompanhar a vida toda. O tratamento envolve diferentes especialidades, incluindo cirurgias reparadoras, acompanhamento fonoaudiológico, odontológico, psicológico, pediátrico e otorrinolaringológico.

Causas e Tratamentos

Ainda não há uma causa estabelecida para a fissura labiopalatina, embora possa estar associada a síndromes ou hereditariedade. O diagnóstico pode ser feito por meio de ultrassonografia durante a gestação, e o tratamento deve ser iniciado o mais cedo possível. O Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (HRAC-USP), conhecido como Centrinho, é um centro de excelência e referência nacional e mundial no tratamento dessa anomalia, oferecendo um tratamento integral que acompanha o paciente desde as primeiras cirurgias até o restabelecimento completo das funções odontológicas e fonoaudiológicas.

O acesso ao tratamento é facilitado em algumas regiões do país, como Sul, Sudeste e Centro-Oeste, mas é limitado em áreas do Norte e do Nordeste. O Centrinho é uma instituição que tem mais de 100 mil pacientes tratados ao longo de quase 60 anos de história e se destaca nacional e internacionalmente por dar um tratamento integral a esses pacientes.

Jornada na Reabilitação

Thyago Cézar, um paciente que nasceu com fissura labiopalatina, compartilha sua jornada de reabilitação. Com 40 anos, ele é advogado e foi tratado no Centrinho por 25 anos e três meses, passando por 10 cirurgias e 12 anos de uso de aparelho ortodôntico. Thyago enfatiza que o processo de reabilitação é longo e complexo, envolvendo não apenas cirurgias, mas também acompanhamento fonoaudiológico, odontológico, psicológico e terapêutico.

Além dos desafios clínicos, a condição impacta diretamente as famílias, resultando em insegurança e preocupação com o tratamento. Thyago destaca a importância da conscientização, do acesso efetivo ao tratamento e da capacitação profissional para garantir que os pacientes recebam o tratamento adequado.

Thyago também luta para garantir direitos em âmbito nacional, propondo projetos de lei para equiparar as pessoas com fissura labiopalatina às pessoas com deficiência. Ele enfatiza que a fissura labiopalatina não causa a morte física direta, mas a falta de tratamento pode “matar a alma” e invisibilizar o indivíduo, impedindo-o de desenvolver todo o seu potencial.

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