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A HISTÓRIA DE STUART SUTCLIFFE, O PRIMEIRO BAIXISTA DOS BEATLES

A História de Stuart Sutcliffe, o Primeiro Baixista dos Beatles

Antes de a Beatlemania transformar John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr em quatro rostos inseparáveis, os Beatles chegaram a Hamburgo como um quinteto, com Pete Best na bateria e Stuart Sutcliffe no baixo.

Nascido em 23 de junho de 1940, em Edimburgo, na Escócia, e criado em Liverpool, Sutcliffe permaneceu no grupo por aproximadamente um ano e meio, entre o início de 1960 e meados de 1961. O período foi curto, mas suficiente para que ele participasse da criação do nome, da imagem e da personalidade dos futuros Beatles.

Um Pintor antes de Ser Músico

A pintura era a verdadeira vocação de Sutcliffe. Aos 16 anos, ele ingressou no Liverpool Regional College of Art, onde conheceu John Lennon em 1957. Os dois rapidamente se tornaram grandes amigos, dividiram ambientes de criação e, mais tarde, chegaram a morar juntos em um apartamento frequentado também por McCartney e Harrison.

No final de 1959, sua obra abstrata Summer Painting foi selecionada para a John Moores Painting Exhibition, realizada na Walker Art Gallery. O empresário e colecionador John Moores comprou o trabalho por 65 libras — uma quantia significativa para um estudante da época.

A Escolha Pela Pintura

Durante a segunda temporada dos Beatles em Hamburgo, em 1961, Sutcliffe percebeu que não desejava seguir a vida de músico profissional. Ao final daquele período, deixou definitivamente o grupo, permaneceu na Alemanha com Astrid e ingressou na atual HFBK Hamburg, então chamada Escola Estatal de Arte de Hamburgo.

Seu professor foi o escultor escocês Eduardo Paolozzi, uma das figuras centrais no surgimento da pop art britânica. Em um relatório acadêmico, Paolozzi descreveu Sutcliffe como muito talentoso, inteligente e já colocado entre seus melhores alunos.

Uma Vida Interrompida Aos 21 Anos

Ao longo de 1961 e do início de 1962, Sutcliffe passou a sofrer fortes dores de cabeça e episódios de mal-estar. Em 10 de abril de 1962, perdeu a consciência e morreu enquanto era levado a um hospital de Hamburgo. Tinha apenas 21 anos.

Os registros citam uma hemorragia cerebral como causa da morte. Algumas referências posteriores associaram o quadro a um aneurisma ou a um ferimento anterior na cabeça, mas não existe comprovação definitiva de que uma briga específica tenha provocado sua morte.

Como Paul McCartney Acabou no Baixo

A passagem do instrumento para Paul McCartney foi mais gradual do que costuma parecer. Quando Sutcliffe faltava a alguma apresentação, Paul já experimentava seu baixo destro, tocando-o de cabeça para baixo por ser canhoto.

Quando Stuart decidiu ficar em Hamburgo, os Beatles ficaram definitivamente sem baixista. Nenhum dos guitarristas estava interessado na função, vista na época como uma posição secundária, reservada ao músico que permanecia no fundo do palco.

O Estilo que Influenciou Gerações

No começo, McCartney executava linhas mais convencionais, seguindo as notas fundamentais dos acordes. Com o tempo, passou a tratar o baixo como uma segunda melodia: uma voz que podia caminhar ao lado da música, responder ao vocal, criar tensão e conduzir os acordes para lugares inesperados.

O próprio Paul apontou James Jamerson, responsável por inúmeras gravações da Motown, como seu grande herói no instrumento. Também citou Brian Wilson, dos Beach Boys, como influência para entender que o baixo não precisava simplesmente acompanhar o restante da banda.

  • Stuart Sutcliffe escolheu a pintura antes que a fama mundial chegasse.
  • Sua decisão também alterou o som dos Beatles: a vaga que ele deixou foi assumida com relutância por Paul McCartney e acabou se transformando em uma das assinaturas musicais mais influentes do século XX.
  • A presença de Sutcliffe continuou na história do grupo: ele aparece entre os personagens da capa de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, lançada em 1967.

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