Projeto apoia mães e crianças atípicas tratadas à base de cannabis
No arquipélago de Fernando de Noronha, um projeto inovador está mudando a vida de mães e crianças atípicas. O Projeto Noronha, uma iniciativa conjunta entre a Associação Brasileira de Estudos dos Canabinóides (Abecmed), a Associação de Mães Atípicas de Fernando de Noronha (AMA-FN) e a Administração Distrital da ilha, oferece tratamento à base de canabidiol (CBD) para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).
Uma das mães beneficiadas pelo projeto é Rayane Dixie dos Santos, que vivia uma situação complicada com seu filho neurodivergente. Com a ajuda do tratamento à base de CBD, ela notou mudanças positivas no comportamento de seu filho, com a diminuição das crises de agitação e agressividade.
O projeto também oferece atendimento e acompanhamento às mães das crianças atípicas, que frequentemente são as únicas a cuidar de seus filhos. Rebeca Allen, presidente da associação de mães do arquipélago, é uma das beneficiadas pelo programa. Ela desenvolveu depressão e Transtorno de Ansiedade Generalizada devido à sobrecarga do cuidado maternal, mas com a introdução do canabidiol, notou melhora no controle da ansiedade e na qualidade do sono.
Como funciona o tratamento com canabidiol
O canabidiol é um composto natural extraído da cannabis que tem propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes. No caso de pessoas com TEA, o canabidiol ajuda a controlar agressividade, insônia e agitação. O tratamento com CBD também não deixa o paciente sedado ou dopado, o que é um diferencial em relação a outros medicamentos aprovados.
O neurologista e voluntário do Projeto Noronha, Eduardo de Sá Faveret, explica que o sistema endocanabinoide regula diversas funções do corpo, buscando manter o equilíbrio ou a recuperação de situações de estresse físico ou emocional. O canabidiol atua ativando e esgotando os receptores transientes, o que reduz a hipersensibilidade.
Impacto do projeto
O Projeto Noronha já realizou dois mutirões, com o objetivo de promover uma opção de tratamento integrativo e gerar conhecimento sobre o tema. Foram realizadas 126 consultas médicas e distribuídos 221 óleos de canabidiol. Além disso, o projeto viabiliza a construção de uma futura sede em um terreno cedido pela Administração da ilha, onde as famílias neuroatípicas poderão receber acompanhamento, orientação e acolhimento de maneira integral.
- 126 consultas médicas realizadas
- 221 óleos de canabidiol distribuídos
- Construção de uma futura sede para atendimento integral às famílias neuroatípicas
O projeto também busca estudar o impacto social e econômico da ação, coletando dados e levando pesquisadores ao arquipélago para gerar pesquisas na área.
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