Clonagem de Carisma: Perfis de IA Copiam Trejeitos e Cenários de Influenciadores para Lucrar na Internet
Influenciadores digitais têm denunciado uma nova modalidade de uso indevido de suas identidades na internet. Perfis criados por Inteligência Artificial (IA) estão utilizando seus vídeos como comandos para replicar movimentos, trejeitos e até mesmo os móveis de suas casas, tudo sem autorização e com propósito comercial.
Esses “avatares de IA” lucram com a venda de produtos em ferramentas de comércio online integradas às redes, como o TikTok Shop, comercializando roupas, calçados, relógios e outros itens. A grande maioria dos casos relatados até agora não clona o rosto exato dos influenciadores digitais, mas sim utiliza vídeos deles que já existem e estão públicos nas redes para capturar os movimentos, os trejeitos corporais e a intimidade dos criadores com a câmera.
Casos Concretos
O influenciador digital Lucas Simões Lima, conhecido como Lusca, foi um dos que identificou a fraude. Ele começou a notar semelhanças entre os vídeos postados originalmente por ele e as publicações de um perfil batizado como “Lucas Barroso”. Outros influenciadores, como Júlia Barni e Júlia Alcoforado, também relataram situações idênticas.
Esses perfis de IA são criados com facilidade por meio de cursos online que ensinam como gerar “clones digitais” para monetização rápida. O mercado dos “clones” é impulsionado por uma corrida por dinheiro na internet, com a busca por monetização encontrando na Inteligência Artificial o atalho perfeito.
O que Diz a Lei?
A lei brasileira ainda não possui uma legislação específica e robusta para a regulamentação de conteúdos gerados por Inteligência Artificial, mas o ordenamento jurídico resguarda a personalidade do indivíduo. Isso significa que a voz, o jeito de andar, os trejeitos corporais e até os elementos físicos que compõem o cenário particular de alguém são protegidos pelos chamados Direitos de Personalidade, previstos no Código Civil.
Para criadores de conteúdo ou pessoas comuns que identificarem seus cenários, corpos ou imagens sendo replicados por ferramentas de IA sem autorização, a orientação jurídica se divide em três passos imediatos: acionar a plataforma, registrar provas digitais e registrar um boletim de ocorrência.
- Acionar a plataforma: Utilizar os canais de denúncia do próprio aplicativo para reportar o uso indevido de imagem e a infração de propriedade intelectual.
- Registrar provas digitais: Utilizar ferramentas de auditoria das redes que geram códigos de segurança para preservar os dados da página falsa por até 5 anos para fins judiciais.
- Boletim de Ocorrência: Registrar o caso na Polícia Civil para criar um marco temporal oficial que protege a vítima caso o perfil fake aplique calotes financeiros usando o seu nome ou o cenário da sua casa.
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