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Pesquisa para criar vacina contra chikungunya reúne 7 países, incluindo o Brasil

Pesquisa para criar vacina contra chikungunya reúne 7 países, incluindo o Brasil

Um consórcio internacional liderado pelo Instituto Pasteur, da França, lançou o projeto ACT-CHIK, que visa acelerar o desenvolvimento clínico de uma vacina contra a chikungunya e fortalecer a produção de imunizantes no continente africano. A iniciativa recebeu financiamento de 15,3 milhões de euros do programa Global Health EDCTP3, ligado à União Europeia.

O principal objetivo do projeto é avançar o desenvolvimento da MV-CHIK, uma vacina contra a chikungunya baseada no vírus do sarampo. Para isso, pesquisadores realizarão um ensaio clínico de fase Ib/III em Ruanda, Quênia, Nigéria e Senegal. Além disso, o grupo pretende preparar a transferência da tecnologia de fabricação do imunizante para um produtor africano.

Uma doença em expansão

A chikungunya é uma doença transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, que provoca febre alta, dores intensas nas articulações, fadiga, dor de cabeça e erupções cutâneas. Em alguns casos, as dores articulares podem persistir por meses ou até anos. O número de casos registrados na África aumentou significativamente nas últimas duas décadas, embora a doença continue sendo frequentemente subdiagnosticada e subnotificada.

As mudanças climáticas estão ampliando a área de distribuição dos mosquitos transmissores, aumentando o risco de surtos em diferentes regiões do mundo, especialmente na África. O Brasil também registra casos de chikungunya.

Como serão as pesquisas

A MV-CHIK é uma vacina desenvolvida a partir da cepa Schwarz do vírus do sarampo. Ela é um imunizante vivo atenuado e recombinante, desenvolvido a partir de uma tecnologia já utilizada pelo Instituto Pasteur. O ensaio clínico recrutará 940 participantes, entre adultos de 18 a 55 anos, adolescentes de 12 a 17 anos e crianças de 5 a 11 anos.

Os voluntários virão tanto de áreas endêmicas quanto não endêmicas dos quatro países participantes. O objetivo é gerar dados que permitam avaliar o desempenho da vacina em populações africanas, incluindo faixas etárias mais jovens.

Produção de vacina na África

Além dos estudos clínicos, o projeto inclui uma estratégia voltada à fabricação de vacinas na África. A proposta é preparar a transferência da tecnologia de produção da MV-CHIK para o Instituto Pasteur de Dakar, no Senegal. O Brasil também participa da iniciativa, com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) sendo responsável pela preparação dos materiais utilizados nos ensaios clínicos.

O consórcio reúne sete instituições de sete países, incluindo França, Ruanda, Senegal, Brasil, Nigéria, Quênia e Coreia do Sul. O projeto terá duração de 48 meses, entre maio de 2026 e abril de 2030.

  • O projeto ACT-CHIK visa acelerar o desenvolvimento clínico de uma vacina contra a chikungunya.
  • A MV-CHIK é uma vacina desenvolvida a partir da cepa Schwarz do vírus do sarampo.
  • O ensaio clínico recrutará 940 participantes de quatro países africanos.

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