Memorial da América Latina em Risco de Privatização
O governo estadual de São Paulo, sob gestão de Tarcísio de Freitas, incluiu o Memorial da América Latina no programa estadual de concessões e privatizações, sem consultar a instituição. A Fundação que administra o complexo projetado por Oscar Niemeyer e concebido por Darcy Ribeiro só ficou sabendo da informação pela divulgação no Diário Oficial.
A inclusão do Memorial no programa de privatizações é um exemplo de como as instituições culturais e públicas estão sendo tratadas como “ativos patrimoniais” a serem explorados, em vez de serem valorizadas como patrimônios da humanidade. A Fundação Memorial da América Latina não foi procurada em nenhum momento para discutir a inclusão de seu complexo institucional nos estudos de concessão, e o presidente da Fundação, Pedro Mastrobuono, afirma que o impacto potencial é gravíssimo.
Consequências da Privatização
- Colocar em risco a integridade do acervo do Memorial;
- Ameaçar a autonomia institucional da Fundação;
- Prejudicar a agenda cultural pública e os projetos de pesquisa;
- Afetar a Cátedra UNESCO de Integração da América Latina e o Centro Brasileiro de Estudos da América Latina.
A movimentação do governo estadual contrasta com o que acontecia dentro da própria instituição, que estava trabalhando na criação do Distrito Acadêmico e Científico Latino-Americano, com a criação do Centro de Ensino Superior Darcy Ribeiro e a consolidação de parcerias acadêmicas permanentes com as universidades públicas paulistas.
A presidente da ABCA (Associação Brasileira de Críticos de Arte), Alessandra Paiva, afirma que o caso não é isolado e que estamos diante de um quadro generalizado mundial de ataque às instituições e à credibilidade delas. A cultura é mais um símbolo a ser atacado no sentido de atacar as garantias estatais e a garantia do bem-estar social como um todo.
O Memorial da América Latina é um projeto político e cultural nascido na redemocratização, concebido para ser a ponte entre o Brasil e o continente, na arte, na pesquisa e na formação de gerações. O que acontece com a instituição agora depende do que o atual governo do estado de São Paulo decide que merece ser preservado.
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