Quantas horas de exercício você precisa fazer por semana?
Um estudo recente publicado no periódico British Journal of Sports Medicine trouxe à tona o debate sobre a quantidade ideal de atividade física necessária para proteger o coração. De acordo com o estudo, adultos precisam fazer entre 9 e 10 horas semanais de exercícios moderados a vigorosos para alcançar uma redução substancial no risco de acidente vascular cerebral (AVC) e infarto.
No entanto, essa conclusão contrasta com a recomendação atual da OMS (Organização Mundial da Saúde), que orienta ao menos 150 minutos (ou duas horas e meia) semanais de atividade física moderada. Os autores do estudo afirmam que esse volume mínimo ainda traz benefícios importantes, mas está bem longe do nível considerado “ideal” para uma redução mais expressiva dos problemas cardiovasculares.
Necessidade maior do que esperada
Para chegar às conclusões, os pesquisadores analisaram dados de acelerômetros coletados durante uma semana em cerca de 17 mil participantes do UK Biobank, um dos maiores bancos de dados de saúde do mundo. O objetivo era medir com mais precisão o volume e a intensidade das atividades físicas realizadas pelos participantes no cotidiano.
Segundo o estudo, pessoas que acumulavam entre 560 e 610 minutos semanais de atividade moderada a intensa apresentavam uma redução de aproximadamente 30% no risco de sofrer AVC ou ataque cardíaco. Esse total se equivale a cerca de 10 horas semanais.
- Pessoas com menor condicionamento físico podem precisar de até 50 minutos adicionais de exercícios por semana para alcançar benefícios semelhantes.
- A pesquisa reconhece que os 150 minutos recomendados pela OMS seguem associados a ganhos importantes para a saúde cardiovascular.
- A redução do risco de doenças cardíacas ficaria entre 8% e 9% nesse patamar.
Intensidade do exercício pode variar
A intensidade da atividade física não é igual para todas as pessoas. Uma caminhada em ritmo moderado, por exemplo, pode representar esforço vigoroso para um idoso sedentário, enquanto para uma pessoa jovem e condicionada talvez não seja considerada exercício intenso.
Atividades cotidianas também entram no cálculo de exercícios físicos, como caminhadas rápidas, jardinagem, esportes recreativos e tarefas que provoquem aumento da frequência cardíaca ou suor.
Embora os resultados tenham chamado atenção, especialistas afirmam que o estudo possui limitações metodológicas relevantes, como a coleta de dados durante apenas uma semana e a falta de consideração de fatores individuais, como genética, metabolismo e histórico de saúde.
Os pesquisadores reforçam que a prática de exercícios não deve ser encarada como uma competição ou comparação direta entre indivíduos. O impacto da atividade física varia de pessoa para pessoa, e qualquer aumento gradual no nível de movimentação tende a trazer benefícios relevantes para a saúde.
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