Artistas da Bienal de Veneza Renunciam aos Votos em Nova Premiação
A 61ª Bienal de Veneza está passando por uma crise sem precedentes. Dois dias após a abertura ao público, mais de 70 artistas participantes da edição publicaram uma declaração coletiva anunciando que não desejam ser considerados para os prêmios da mostra, conhecidos como Visitor Lions.
A declaração, assinada por artistas da exposição principal “In Minor Keys” e por representantes de 22 pavilhões nacionais, afirma que os artistas se retiram da consideração para os prêmios em solidariedade com a renúncia do júri internacional, que havia decidido não avaliar pavilhões de países cujos líderes respondem por crimes contra a humanidade no Tribunal Penal Internacional.
Os artistas que assinaram a declaração incluem nomes como Walid Raad, Laurie Anderson, Alice Maher, Alfredo Jaar e Pio Abad, da exposição central, e nomes de pavilhões como a francesa Yto Barrada, a irlandesa Isabel Nolan, a lituana Egle Budvytyte e o holandês Dries Verhoeven. O fotógrafo indiano Sohrab Hura resumiu a posição dos artistas com uma frase que dispensa elaboração: “O júri agiu como qualquer pessoa com consciência moral teria feito. Prefiro apoiá-lo do que torcer por algum prêmio.”
A sequência de eventos que levou a essa decisão é conhecida: o júri, presidido pela brasileira Solange Oliveira Farkas, havia declarado que não avaliaria pavilhões de países cujos líderes respondem por crimes contra a humanidade, e oito dias depois, renunciou em bloco. A Fundação Bienal respondeu criando os Visitor Lions, um sistema de votação popular que permitirá que visitantes votem em seus favoritos ao longo dos seis meses da mostra.
No entanto, a solução foi recebida com ceticismo por boa parte do campo artístico. Para os signatários da declaração, aceitar concorrer ao novo prêmio equivale a legitimar um mecanismo criado para contornar o impasse político sem resolvê-lo. A Bienal, por sua vez, informou que “toma nota” da declaração, o que significa que os artistas que eventualmente vencerem a votação popular simplesmente não receberão o prêmio.
- Os artistas que assinaram a declaração incluem:
- Walid Raad
- Laurie Anderson
- Alice Maher
- Alfredo Jaar
- Pio Abad
- Yto Barrada (França)
- Isabel Nolan (Irlanda)
- Egle Budvytyte (Lituânia)
- Dries Verhoeven (Holanda)
O artista Belu-Simion Fainaru, escultor romeno-israelense que representa Israel nesta edição, disse que “como artista, me oponho a boicotes culturais, pois acredito na importância do diálogo e do intercâmbio, especialmente em tempos difíceis”.
A crise na Bienal de Veneza é um exemplo de como a arte pode ser afetada por questões políticas e morais. A decisão dos artistas de renunciar aos votos é um gesto de solidariedade com o júri internacional e uma forma de protestar contra a falta de ação da Fundação Bienal em relação às questões políticas.
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