Surto de Hantavírus em Navio de Cruzeiro: Entenda o Risco de Epidemia
Um surto raro de hantavírus a bordo de um navio de cruzeiro internacional colocou autoridades sanitárias de diversos países em alerta, desencadeando uma ampla operação de rastreamento de passageiros espalhados pelo mundo. Desde abril, ao menos oito casos – três deles confirmados em laboratório – foram associados ao navio MV Hondius, que partiu da Argentina rumo a regiões do Atlântico Sul e da Antártida. Três passageiros morreram.
As autoridades de saúde tratam a situação com cautela porque há indícios de que parte das infecções possa ter ocorrido por transmissão entre humanos, um fenômeno incomum, mas já registrado no caso da cepa de Andes. Passageiros do Reino Unido, Holanda, Suíça, Estados Unidos e África do Sul estão sendo monitorados desde que desembarcaram.
Risco para a População em Geral
Apesar da mobilização internacional, especialistas insistem que o risco para a população em geral continua baixo. “Não é Covid, não é gripe, a forma de propagação é muito diferente”, afirmou Maria Van Kerkhove, da Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo ela, o hantavírus não possui a mesma capacidade de disseminação rápida observada em doenças respiratórias altamente contagiosas.
Os cientistas pretendem sequenciar geneticamente o vírus encontrado nos pacientes para verificar se ele possui mutações associadas à transmissão entre humanos observada em surtos anteriores.
Investigação e Rastreamento
Os investigadores têm concentrado esforços em reconstruir detalhadamente os contatos entre os passageiros: quem dividiu cabines, participou das mesmas excursões, compartilhou refeições ou teve contato próximo com pessoas doentes.
- Passageiros que desembarcaram em Cabo Verde e outros pontos da rota estão sendo monitorados após retornarem aos seus países de origem.
- No Reino Unido, a Agência de Segurança da Saúde (UKHSA) determinou que passageiros britânicos ligados ao navio entrem em isolamento por 45 dias.
- Nos Estados Unidos, autoridades dos estados da Geórgia e do Arizona monitoram três passageiros que retornaram ao país.
Enquanto isso, o MV Hondius segue em direção às Ilhas Canárias, na Espanha, após permanecer três dias ancorado próximo a Cabo Verde. Passageiros e tripulantes restantes permanecem isolados a bordo.
Apesar da repercussão internacional, a OMS reforça que não há indícios de uma ameaça semelhante à pandemia de Covid-19. O hantavírus Andes exige contato muito próximo ou prolongado para eventualmente se espalhar entre pessoas.
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