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Falecida antes de ver a Bienal de Veneza, Koyo Kouoh foi a primeira africana a dirigir a exposição

Koyo Kouoh: Uma Vida de Arte e Resistência

Koyo Kouoh foi uma figura emblemática no mundo da arte, conhecida por sua visão inovadora e sua determinação em promover a arte africana contemporânea. Nascida em Douala, nos Camarões, em 1967, Kouoh cresceu em uma família de migrantes e foi para a Suíça aos 13 anos para se juntar à sua mãe. Apesar de ter uma formação bancária, Kouoh logo se interessou pela arte e começou a trabalhar como assistente social com mulheres migrantes.

Em 1996, Kouoh deixou Zurique e voltou ao continente africano, onde trabalhou como curadora em Dacar. Em 2008, fundou a Raw Material Company, um centro de arte independente que se tornou um espaço de pensamento, publicação, residência e formação para artistas africanos. O nome da instituição era um manifesto em si, pois “matéria-prima” se referia ao que existe antes de ser processado pelo sistema, ou seja, a arte africana antes de ser valorizada pelo circuito internacional.

Um Legado de Resistência e Inovação

Kouoh foi uma pioneira em muitos sentidos. Em 2019, assumiu a direção executiva do Zeitz Museum of Contemporary Art Africa, em Cape Town, o maior museu dedicado à arte africana contemporânea do mundo. Ela reorganizou a instituição, aprofundou o programa curatorial e formou uma equipe majoritariamente composta por mulheres negras. Sua vocação, como ela mesma resumia, era “reparar” instituições complexas e torná-las viáveis no longo prazo.

Uma de suas últimas grandes exposições foi “When We See Us: A Century of Black Figuration in Painting”, inaugurada em fevereiro de 2025 no Bozar, em Bruxelas. A mostra foi uma resposta visual e histórica ao enquadramento estreito da pintura figurativa africana, que havia sido apresentada com um olhar muito limitado, quase sempre filtrado pela tríade escravidão-colonização-apartheid.

  • Construiu uma carreira baseada na promoção da arte africana contemporânea.
  • Foi a primeira mulher africana a dirigir a Bienal de Veneza.
  • Deixou um legado de resistência e inovação no mundo da arte.

Kouoh faleceu em 9 de maio de 2025, aos 57 anos, algumas semanas antes de anunciar o título da Bienal de Veneza que foi convidada a dirigir. Seu legado, no entanto, permanecerá vivo, inspirando gerações futuras de artistas e curadores africanos. A Bienal de 2026 será realizada segundo a visão que ela deixou, com vozes africanas no centro e uma recusa firme a qualquer narrativa que reduzisse o continente ao papel de vítima ou de descoberta recente.

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