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A diversidade saiu do discurso, mas estaria saindo também das passarelas?

A Diversidade nas Passarelas: Um Retrocesso?

A moda é um reflexo da sociedade, e a diversidade é um tema que tem ganhado destaque nos últimos anos. No entanto, os dados mais recentes da Vogue Business mostram que a diversidade de corpos nas passarelas não apenas segue marginal, como está em retração. Na temporada Outono/Inverno 2026, 97,6% dos looks foram apresentados por modelos straight size, enquanto apenas 2,1% foram mid-size e 0,3% plus size.

Essa retração é preocupante, pois a diversidade não se limita apenas a corpos magros ou gordos, mas também a outros aspectos, como a representação de modelos negros, que são somente 6% dos modelos nos desfiles. O problema não está na ausência de modelos, mas nas decisões das próprias marcas e na limitação dos tamanhos produzidos, e do que segue sendo considerado, ou não, belo.

Um Desalinhamento entre Discurso e Prática

As marcas frequentemente alegam responder à demanda do consumidor, mas, na prática, são elas que definem o que é aspiracional, desejável e visível. Ao limitarem corpos, tamanhos e narrativas nas passarelas e nos produtos, moldam o imaginário coletivo, que por sua vez retroalimenta exatamente esses mesmos padrões. Não se trata, portanto, de falta de mercado, mas de falta de decisão.

Se a diversidade não se traduz em produto, escala e consistência, ela deixa de ser estratégia e passa a ser narrativa; e é justamente isso que é chamado de diversitywashing (lavagem da diversidade), termo que nomeia o uso da diversidade como discurso sem transformação real.

O que Está em Jogo

O que está em jogo não é apenas estética, mas decisão de negócio, alocação de recursos e coragem de liderança. A indústria da moda e, por extensão, todas as empresas precisam escolher se continuarão tratando a inclusão como tendência passageira ou se assumirão seu papel na construção de um mercado que represente, de fato, a sociedade que consome.

  • A diversidade é um tema que deve ser tratado com seriedade e ação, e não apenas como discurso.
  • As marcas precisam assumir seu papel na construção de um mercado que represente a sociedade que consome.
  • A inclusão não é apenas uma questão de estética, mas de decisão de negócio e alocação de recursos.

Em resumo, a diversidade nas passarelas é um tema que precisa ser tratado com seriedade e ação, e não apenas como discurso. As marcas precisam assumir seu papel na construção de um mercado que represente a sociedade que consome, e a inclusão não é apenas uma questão de estética, mas de decisão de negócio e alocação de recursos.

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