Maxwell Alexandre: Racializando o Corpo Branco na Pintura
A exposição “pintor preto, figuração branca” de Maxwell Alexandre, atualmente em cartaz na Almeida & Dale Fradique em São Paulo, apresenta uma série de obras que desafiam a representação tradicional do corpo branco na pintura. O artista, conhecido por suas obras que representam pessoas negras, agora se volta para a observação dos frequentadores brancos do Clube de Regatas do Flamengo, um local que se tornou um símbolo de privilégio e exclusão.
A pergunta que Alexandre coloca é direta: por que a representação do homem branco na pintura é chamada simplesmente de figuração, enquanto a representação de pessoas negras recebe a qualificação de figuração preta? Essa questão retórica destaca a construção racial que está por trás da neutralidade atribuída à figura do homem branco na história da arte.
O Clube de Regatas do Flamengo funciona como metáfora para uma tipologia de espaços que pressupõe pertencimento de classe e raça. Os altos muros do clube criam um oásis que torna visíveis as estruturas de poder que organizam o exterior. Os banhistas de pele clara que Alexandre pinta nesses pátios guardam algo de figuras inseridas num sistema de privilégios tão naturalizado que vira mesmo a paisagem desses sujeitos.
- A exposição reúne desdobramentos das séries Clube e Cubo Branco, que apresentam uma sistematização clara da representação dos corpos brancos de modo que a racialidade seja inconfundível na tela.
- A brancura da pele iluminada, os fenótipos escolhidos e o olho azul como recurso de legibilidade são alguns dos elementos que compõem essa sistematização.
- A história da arte fez o mesmo com a representação de pessoas negras por séculos, apenas sem nunca precisar declarar as regras.
A obra de Maxwell Alexandre é um espelho que reflete a construção racial que está por trás da representação do corpo branco na pintura. É uma crítica à neutralidade atribuída à figura do homem branco e uma tentativa de tornar visível o que funciona por permanecer sem nome.
A exposição “pintor preto, figuração branca” é uma oportunidade para refletir sobre a representação do corpo branco na pintura e sobre as estruturas de poder que organizam a sociedade. É um convite para questionar a neutralidade atribuída à figura do homem branco e para pensar sobre a construção racial que está por trás da representação do corpo humano na arte.
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